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Chegou o meu dia

 41 anos. De tantas conquistas, de tanta luta. De metas alcançadas, e de confusão sobre o dia que pode vir a seguir. Este ano, o meu aniversário não me anima,, não me dá friozinho na barriga. Traz-me tristeza vinda dos confins da mente, muito em que pensar, e uma enorme certeza de que estou vazia, por dentro. Um vazio feito de cansaço, de repetições de ciclos  que não pedi, de olhar para o espelho e não perceber como cheguei aqui. Ou para quê. Que se celebrem 41 anos da minha chegada. Amanhã será outro dia. E o único desejo que tenho é não estar neste estado mental, no próximo ano.

Arte #6

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Por caridade

 As piores saudades são as de nós mesmos. Bateram fui abrir era a saudade vinha para falar-me a teu respeito entrou com um sorriso de maldade depois sentou-se à beira do meu leito e quis que eu lhe contasse só a metade das dores que trago dentro do meu peito Não mandes mais esta saudade ouve os meus ais por caridade ou eu então deixo esfriar esta paixão amor podes mandar se for sincero saudades isso não pois não as quero Bateram novamente era o ciúme e eu mal me apercebi de que batera trazia o mesmo ódio do costume e todas as intrigas que lhe deram e vinha sem um pranto ou um queixume saber o que as saudades me fizeram Não mandes mais esta saudade, ouve os meus ais por caridade, ou eu então deixo esfriar esta paixão, amor podes mandar se for sincero, saudades isso não pois não as quero. Afonso Lopes Vieira, in 'Antologia Poética'

Meia dúzia

 Dito assim parece pouco, "nada", igual a uma caixa de ovos. Mas são 6 anos. 6 anos sem ti. Estranhamente, 6 anos num ano em que senti mais saudades, mais falta. Me senti mais perto de ti, te passei a ver em pequenos detalhes, "jeitos" ou "coincidências". Pode ser o meu lado racional a querer ter-te por perto, para tentar lidar com a saudade; pode ser o Universo a dizer-me que quando as pessoas que amamos parte, não ficamos MESMO sozinhos. Este ano foi difícil, tu sabes. Continuo a conversar contigo, continuo a ter dias em que nos imagino na sala, sentadas no sofá, e eu te conto as coisas. Ou nos vejo na tua cozinha, enquanto terminas um bolo e bolachinhas para entregar, a tomar as decisões de irmãs adultas - como naquela noite de fevereiro, lembras-te? Passaram 6 anos, e mesmo assim, é tão fácil voltar ao teu último aniversário, ou ao teu caixão naquela sala iluminada, antes de seguires para o crematório . É um orgulho meu ser tua irmã. Mesmo vivendo est...

Desejos

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Adorava ser como aquelas pessoas (que conheço pessoalmente) que podem estar a passar por fases difíceis, mas conseguem encontrar momentos para espairecer. Tiram fotos para "mais tarde recordar", conseguem fazer os seus planos "fora do problema", sorriem e tudituditudi . Mas não consigo. A ansiedade, o cansaço tomam conta de mim. Rumino no que se passa. *Esforço-me* por marcar planos - só com quem vale mesmo a pena. (Porto-me bem com a medicação, até estou a tomar um medicamento que "odeio", porque o médico diz que é dos que "vai valer a pena".) Mas o que gostava mesmo, o que desejava conseguir era conseguir sorrir e viver, não só sobreviver, quando a vida está difícil.

Virgos of the World: unite

Costumo dizer que tenho muito de Virgem, mas que por ter signo E ascendente em Virgem, talvez não se note tanto (para fora). Mas depois… sou organizada. Faço listas. Planeio encontros com antecedência. E limpo tudo , à minha volta - mesmo no escritório. (Só não recomendo que espreitem o meu guarda-vestidos ou o armário dos tápáueres.)

As fases do Luto

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(Vamos a caminho de 6 anos sem a minha Anita... por um lado: how's that possible?; por outro: falta o resto da vida). Que se lixem (com f) as fases do Luto. Não as sei, nem as aprendi. Simplesmente tenho vivido, sobrevivido nestes anos. No último ano voltei a sonhar com ela. Comecei a ter momentos em que olho ao espelho e vejo semelhanças no rosto e nas expressões - nós que não somos parecidas em quase nada. Ganhei ainda mais gosto em falar dela, dos miúdos, dos bolos, das piadas - quase tanto como quando ela estava aqui. Resultado: sinto ainda mais (se tal é possível) saudades. E sabem o que tem ajudado? Abraçar o Kiwi - que entretanto, com a idade, aprendeu a gostar de colo e ronrona e tudo. Lembro-me instantaneamente do quanto ela gostava deste bichano, o quanto ele lhe fez companhia quando ela soube que estava doente e estava fechada em casa, entre tratamentos, antes do transplante. O gato pequenino que ele era, mas que ela adorava. Como ele dormia aos pés dela, quando ela volt...

Solisticio de verão

 Hoje é o dia mais longo do ano. E as saudades que eu tenho de quando este dia significava planos de verão? Ansiedade boa pelo S. João? Este ano? Só veio confirmar a sazonalidade dos meus problemas de saúde. Agora é oficial, diagnosticado. O verão faz me pior, à vida. Sou mesmo do contra. Veio mais um comprimido para a coleção - e nem funcionou. E bate a saudade. Dos bolos da minha irmã. E do sorriso. E das piadas. E do abraço. De ir à praia, de ver o mar. De ter planos, sem querer fugir deles. De saber como se sai deste sentimento de confusão, de encolher de ombros (em frustração) eterno.

Peso

A vida consegue dar voltas. E o peso de pinheiros adultos, caídos, no chão. E eu dou por mim a adorar as vistas das janelas, e a ter medo de olhar para o chão, lá ao fundo. Acho que sou a prova provada de que medicação é trabalho psicológico e psiquiátrico salvam a vida. Mas que o peso da vida ganha, mesmo que os medicamentos e as aprendizagens sejam grandes, positivos e auxiliares. Hoje tenho o peso de uma árvore caída, no meio da floresta.

Deficiência e funcionalidade

Ultimamente tenho pensado muito em como não sabia, não me prepararam (os médicos e fisioterapeutas) e pouco se fala da perda de funcionalidade quando se tem uma deficiência. Para vos ser sincera, pensei que todo o esforço feito até aos 18/19 seria a funcionalidade e independência com que viveria, reforçada pelo esforço de fazer desporto e trabalhar com Personnal Trainers. Aos 40 anos vejo que não é assim. Que mesmo com esforço, de ano para ano perco funcionalidade, ganho dores, quedas, maus jeitos. E entristece-me. Dediquei 1/3 da minha vida à natação. 10 anos à fisioterapia ocupacional. Pago e bem pela ajuda de treinadores que tenho, já adulta. Fico frustrada. Chateada por não me terem informado. Nem comento com os meus pais, que tanto se "mataram" para ter uma filha "quase normal".

As pessoas e as amizades...

 Sempre fui pessoa de poucos amigos-amigos. Sempre dei toda a atenção e carinho a quem me aquece o coração. Daí me fazer tanta confusão ver pessoas adultas, pelo menos de idade, mudar de "melhores amigos" quando mudam de interesses. E dou por mim a pensar: há mesmo esse sentimento "todo" por muita gente? Não aprendi (mesmo) essa capacidade social.

Eu, numa música #2

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  A vida de uma pessoa com depressão crónica, digo eu.

Ser do contra

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 Chegaram os dias mais longos - e bonitos… Na maioria dos relatos que vejo, o pessoal fica mais animado. Faz mais planos. Eu? Tenho uma depressão que é do contra . Os dias melhoram, “eu” vou pela ladeira… Vontade zero, mantenho a funcionalidade, e vamos vivendo. Já percebi o padrão, já está falado com os médicos. Mas não consigo não ficar frustrada comigo.

As cegonhas enganam-se no caminho

 Há quem nasça na família “fora de lugar”, para aprender lições e crescer. Há quem se esforce e eduque e abdique… para, no final, ver o seu educando seguir o caminho “mais fácil”, o das tentações. Há quem nasça no papel “errado” na hierarquia familiar, tente comunicá-lo uma vida inteira, a mensagem não passe… e no final… reclame o papel da maneira mais difícil. Que a meritocracia não existe, que o esforço não garante resultados já eu sabia. Agora… que o Amor numa família não chega? Essa está a ser difícil de processar.

Baby-steps

Esta é uma partilha sem " strings attached ". Nos últimos 4 meses tenho fumado menos. Muito menos. Passei de 10 cigarros por dia, faz uns 10 meses; para 3 por dia, ou mesmo dias em que não fumo. Não foi nenhuma promessa, ou grande decisão. Nesta fase a ansiedade está mais calma - não posso dizer o mesmo sobre a depressão , mas é sazonal em mim - o que faz com que fume menos. Fumar para mim é um coping-mechanism , é um momento de "desligar o cérebro". E nos últimos meses faço isso a ver reels , a ler livros. A usufruir do perfuminho das velas enquanto vejo TV depois de jantar. Again , não estou a partilhar uma promessa ou um bater de pé. Estou a partilhar um momento de gestão pessoal , menos destrutivo.

First world problems cá de casa

Ando faz semanas “com desejos” de comer kiwi . Todas as semanas saio de casa e ponho na lista de compras. Vamos para a 4.ª semana em que me esqueço. Continuo a sonhar e comer um kiwi docinho , às rodelas, num prato.

Perspectivas

 Com o passar dos anos, confesso que uso o Instagram para “desligar o cérebro”, depois do jantar. Vejo reels, rio-me, um pedaço, envio alguns a amigos, et voilá. Mas nestas ultimas semanas, o Instagram tem sido malandro, ou amigo… depende da perspetiva. Tem-me mostrado reels que são a cara da relação com a minha irmã. As nossas piadas, lembranças de programas que víamos e canções da adolescência. E continuo a pensar nela. Fico triste que ela não esteja simplesmente do outro lado de um telefone, para receber e se rir também. E depois penso: ao menos o meu algoritmo mostra-me coisas giras e lembra-se dela também. (E acabo a enviar ao m-R e a contar a “história” associada).

m-M: a pseudo analista economicó-turistica

 Digam-me a verdade: está tudo ryco, menos eu? É que só vejo pessoal a viajar para o Japão. Viagens longas, várias paragens, muitas visitas pagas e compras. Sei, por pesquisas do m-R que são viagens caras prá xuxu… E eu aqui na luta de pagar contas, poupar, gerir o calendário e tentar fazer férias interessantes na Europa… Não, não é inbeija. É mesmo curiosidade. Espero que este pessoal todo não se esteja a meter em créditos pessoais… porque a vida vai dar uma volta para pior.

Das amizades

 Defendo, sempre defendi, que a Amizade é uma forma de Amor . - e já o disse aqui, com este "termo", faz anos. Não sou uma borboleta social, conto os amigos dignos desse nome pelos dedos das duas mãos. E o melhor? É saber que tenho Amizade-Amor espalhada pelo Mundo. Todas as estas pessoas são diferentes. Todas acrescentam à vida. Todas estas pessoas fazem valer a pena. Cada um, à sua maneira, me faz sorrir, me aquece o coração, me faz dar gargalhadas; partilham comigo vida, lembranças, momentos de m€rda e coisas chatas do adulting . m-M de 18 anos, ouve lá: cada pessoa chega por um motivo, cada pessoa fica o tempo que é necessário. Não vale a pena sentir dor por quem teve a sua fase e foi Ser, para outras paragens. Porque quando as almas que se reconhecem ? Deixam as melhores memórias/marcas/ pedaços na nossa alma.

Senti-me "representada"

 Esta semana vi várias pessoas com "regueifinhas" a treinar no ginásio. I am not alone! 😜