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Perspectivas

 Com o passar dos anos, confesso que uso o Instagram para “desligar o cérebro”, depois do jantar. Vejo reels, rio-me, um pedaço, envio alguns a amigos, et voilá. Mas nestas ultimas semanas, o Instagram tem sido malandro, ou amigo… depende da perspetiva. Tem-me mostrado reels que são a cara da relação com a minha irmã. As nossas piadas, lembranças de programas que víamos e canções da adolescência. E continuo a pensar nela. Fico triste que ela não esteja simplesmente do outro lado de um telefone, para receber e se rir também. E depois penso: ao menos o meu algoritmo mostra-me coisas giras e lembra-se dela também. (E acabo a enviar ao m-R e a contar a “história” associada).

m-M: a pseudo analista economicó-turistica

 Digam-me a verdade: está tudo ryco, menos eu? É que só vejo pessoal a viajar para o Japão. Viagens longas, várias paragens, muitas visitas pagas e compras. Sei, por pesquisas do m-R que são viagens caras prá xuxu… E eu aqui na luta de pagar contas, poupar, gerir o calendário e tentar fazer férias interessantes na Europa… Não, não é inbeija. É mesmo curiosidade. Espero que este pessoal todo não se esteja a meter em créditos pessoais… porque a vida vai dar uma volta para pior.

Das amizades

 Defendo, sempre defendi, que a Amizade é uma forma de Amor . - e já o disse aqui, com este "termo", faz anos. Não sou uma borboleta social, conto os amigos dignos desse nome pelos dedos das duas mãos. E o melhor? É saber que tenho Amizade-Amor espalhada pelo Mundo. Todas as estas pessoas são diferentes. Todas acrescentam à vida. Todas estas pessoas fazem valer a pena. Cada um, à sua maneira, me faz sorrir, me aquece o coração, me faz dar gargalhadas; partilham comigo vida, lembranças, momentos de m€rda e coisas chatas do adulting . m-M de 18 anos, ouve lá: cada pessoa chega por um motivo, cada pessoa fica o tempo que é necessário. Não vale a pena sentir dor por quem teve a sua fase e foi Ser, para outras paragens. Porque quando as almas que se reconhecem ? Deixam as melhores memórias/marcas/ pedaços na nossa alma.

Senti-me "representada"

 Esta semana vi várias pessoas com "regueifinhas" a treinar no ginásio. I am not alone! 😜

Dentro da minha cabeça

O que fazer com uma cabeça que me passa a perna? E fico com a certeza: chegou a sazonalidade do meu “ desequilíbrio químico ”. Faço planos para o meu bem-estar. E depois a minha cabeça convence-me a re-priorizar tudo. Lá se vai o exercício em casa , ou a leitura antes de dormir . Importante é limpar o chão. Tratar da roupa da casa. Dos gatos. Das compras de mercearia da semana. Adiantar o pequeno-almoço de amanhã. Quando é que eu consigo dar a volta à minha cabeça? Que até o duche deixa para o fim? Batamos palmas, esta semana bebi 1.5L de água todos os dias , e fiz refeições mais “bem comportadas”.

Não ter que lutar

 Não ter que lutar contra mim mesma, para sobreviver, é uma das maiores vitórias de fazer psicoterapia e ter apoio psiquiátrico, desde o meu burnout. Já não passo os dias a obrigar-me a fazer “algo” (sair de casa, ir ao ginásio, comprar coisas… etc.) para me enquadrar, ou na esperança de me sentir melhor. Ou ser melhor. Sei que não estou curada porque, por exemplo, voltei a uma fase em que me sinto “abaixo da média” em termos de energia e de alegria de viver. Tenho que me trabalhar para não dizer coisas más a mim mesma, sobre o meu peso, o meu corpo, a minha deficiência. Foco-me nas coisas boas: no meu m-R, nos minhaus, nos livros, nos amigos. Nos dias que estão mais longos, no Sol que vai regressando. E, acima de tudo, fico feliz por já não ter que lutar contra mim, e não ter pensamentos negros.

Meu Ary

Caminharemos de olhos deslumbrados E braços estendidos E nos lábios incertos levaremos O gosto a sol e a sangue dos sentidos. Onde estivermos, há-de estar o vento Cortado de perfumes e gemidos. Onde vivermos, há-de ser o templo Dos nossos jovens dentes devorando Os frutos proibidos. No ritual do verão descobriremos O segredo dos deuses interditos E marcados na testa exaltaremos Estátuas de heróis castrados e malditos. Ó deus do sangue! deus de misericórdia! Ó deus das virgens loucas Dos amantes com cio, Impõe-nos sobre o ventre as tuas mãos de rosas, Unge os nossos cabelos com o teu desvario! Desce-nos sobre o corpo como um falus irado, Fustiga-nos os membros como um látego doido, Numa chuva de fogo torna-nos sagrados, Imola-nos os sexos a um arcanjo loiro. Persegue-nos, estonteia-nos, degola-nos, castiga-nos, Arranca-nos os olhos, violenta-nos as bocas, Atapeta de flores a estrada que seguimos E carrega de aromas a brisa que nos toca. Nus e ensanguentados dançaremos a glória Dos nosso...

Traumas geracionais

 Muito se fala nas internets de fazer terapia para “quebrar traumas geracionais”. O que não contam é que podemos trabalhar em nós, perceber os padrões, fazer a nossa parte, mas se os traumas são causados por externos, também dependerá deles poder comunicar e ultrapassar. Ninguém fala, nas internets, de quando isso não é possível. A revolta que fica, a frustração. A sensação de “trabalho vazio”. Ficarei para sempre a perguntar-me se poderia ter sido diferente. Se eu e a minha irmã tivéssemos podido trabalhar juntas, se conseguiríamos resultados diferentes com os nossos pais. Trabalhar e viver sozinha, na luta… é uma merda.

Arte #1

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Parabéns!

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 Os outros dizem que o Céu está em festa. Eu digo que nós, os teus, celebraremos, para sempre, o teu dia. Farias 46 anos. Gosto de pensar que regressaríamos à tradição da Torta de Noz, da “tua” mousse, agora que a voltei a fazer. Daqui, acendo uma vela, imagino que sentes o abracinho e os beijinhos “ratolas” que só te dou a ti e aos miúdos. Sorrio ao imaginar o teu desconforto físico (confortável). Percebo agora que a tua linguagem de amor comigo era Atos de Serviço, enquanto a minha contigo era Toque. Engraçado como Toque enquanto Amor só é teu e do H. Deve ser do Amor que é tão grande que não cabe no meu corpo, mais pequenino do que os vossos. Que hoje brilhes ainda mais aí em cima, no nosso Céu de Madrid. Não és esquecida. E és sempre amada. Parabéns Anita. Tenho saudades tuas.

Que continue a ser um filme

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 Uma destas noites adormeci a ver um filme que adoro: “V for Vendetta”. Que me lembra que o povo tem poder, que, “no escuro há mentes brilhantes”, que o passado volta sempre para nos assombrar. Hugo Weaving é magistral - como sempre. A minha Londres é magnética, mesmo distópica. Adormeci a pensar que o passado se aproxima a passos largos. Mas sempre crente do poder dos membros da Resistência.

Sonhei com o Prince

Quem me segue há mais tempo sabe o carinho e a ligação que eu tenho o fantástico Prince. Pois que uma destas noites sonhei com ele. (Tudo muito propper, suas mentes depravadas!) Sonhei que fazia parte da família do próprio do Prince. E que passámos a noite de Natal todos juntos (a família do sonho era grande). Ao longo da noite "passeávamos" de sala para sala, enquanto o Prince nos contava em quem se tinha inspirado para escrever "x" música. Tudo enquanto agradecia a cada um de nós, pelo carinho que levou à inspiração. A cada sala que passávamos ele ia envelhecendo... e para o final do praticamente já só nos sorria. Mas é isso mesmo que guardo do sonho, o seu sorriso, a sua calma. O quanto todos o ouviámos e para nós, o Natal foi isso: estar lá, ouvir histórias e sentir gratidão. Um total oposto do Natal que vivo, faz mais de 3 anos. Mas deve ser para isso que servem os sonhos, não?

O trabalho presencial dá alegria e faz rejuvenescer

 Volta e meia olho à minha volta e penso: “já estou na parte dos “mais velhos”, no escritório. E depois… dou por mim a ensinar pessoal (mais novo do que eu) a usar o microondas ou a tirar descafeínados. Vai-se a ver e os últimos 20 anos não aconteceram. Isso ou os cuidados de pele são do caraças! 

Desconexão

 O cérebro, e por consequência, o coração andam um pouco desconectados de tudo l que se passa no meu mundo. Que é muita coisa, diga-se de passagem. Há quem possa olhar e dizer: m-M, para onde se te foi aquela emoção toda com que vivias a vida? Aaaah meus queridos, está cá! Mas canalizada para me manter à tona, sã. Sinto revolta, mágoa, descrença, cansaço. Gratidão, honra, vontade de espairecer, ler, ler muito. Mas tenho que gerir. Ir deixando uma ou outra vir ao de cima, dependendo dos dias…

O peso, as mulheres e a ansiedade

 Já partir antes que engordei 10kgs em cerca de 3 anos. Faço exercício, tento mexer-me. Mas devido à depressão e à ansiedade a minha relação com a comida mudou: ora passo horas sem fim, sem fome e sinto enjoos e olho para a comida e não quero comer; ora como o que me aparece à frente Mas desde as crises psiquiátricas tenho mais dificuldades em, literalmente, alimentar-me: estranho texturas, enjoo alimentos, tenho fases de fixação em certos alimentos. Já procurei nutricionista, fui seguida mais de 4 meses: zero resultados. E depois? Vou ao médico, por outros motivos, e todos me olham com cara de “podia perder uns quilinhos”, de “faça exercício”. Como se eu não estivesse a fazer o que consigo. Como se não tivesse noção. Como se fosse fácil.

Aaah a alegria de ter doenças crónicas

A minha depressão é ansiedade crónicas são "do contra". Pioro na chegada do verão; tenho crises extremas na época festiva. Este ano não foi excesso, pesando muito MESMO certos acontecimentos familiares.   Passou um mês e as palpitações, as insónias e o mal estar ainda não me deixaram. Pontos positivos da "edição" deste ano: zero ideação suicída, muito pouco recurso ao SOS, e sem necessidade de marcar consultas de urgência com a minha equipa. Vamos celebrar?   (Isso e o facto da consulta habitual de psiquiatria ser em menos de 3 semanas.)

E o concerto “a solo” de 2025?

Foi o do Tiago Bettencourt. Na zona de mobilidade, com boa visibilidade e sem dramas - parabéns à equipa do Campo Pequeno.   Foi bom matar saudades de um cantor que "me canta" bem. Lembrei-me muito da noite de dezembro de 2010. Mas ambos amadurecemos. O Tiago está rockeiro, autor com referências e frases bonitas. Eu, venci a vontade de não sair de casa. Tomei um duche, vesti uma saia e fui bailar as melodias. Enquanto esperei pelas tais que me ressoam por dentro (nuns casos tive sorte, noutros não).   Obrigado Tiago por me acompanhares sempre na pontinha de hedonismo que ainda persiste.

Em tecido

Sonhei que, décadas depois, nos encontramos numa cidade diferente. Que escrevemos, em tecido, como nos anos 90, os sentimentos dos anos que passámos juntos.   Sorri porque fizemos as pazes. E os sentimentos que ficaram, e que expressámos, eram dos bons.   A seguir, saí para a rua, de pedras escuras, e segui. Como a vida seguiu.

Metas/ decisões para o novo ano

Manter a terapia. Ansiar por não subir doses da medicação. Fazer os exames adiados pelo SNS. Voltar ao ginásio. Manter o gosto pela leitura. Passear e espairecer, quando possível - já fiz uma lista e tudo.   Pouco, bom, importante e interessante - chega e sobra para os próximos mais de 300 dias.

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