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Traumas geracionais

 Muito se fala nas internets de fazer terapia para “quebrar traumas geracionais”. O que não contam é que podemos trabalhar em nós, perceber os padrões, fazer a nossa parte, mas se os traumas são causados por externos, também dependerá deles poder comunicar e ultrapassar. Ninguém fala, nas internets, de quando isso não é possível. A revolta que fica, a frustração. A sensação de “trabalho vazio”. Ficarei para sempre a perguntar-me se poderia ter sido diferente. Se eu e a minha irmã tivéssemos podido trabalhar juntas, se conseguiríamos resultados diferentes com os nossos pais. Trabalhar e viver sozinha, na luta… é uma merda.

Arte #1

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Parabéns!

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 Os outros dizem que o Céu está em festa. Eu digo que nós, os teus, celebraremos, para sempre, o teu dia. Farias 46 anos. Gosto de pensar que regressaríamos à tradição da Torta de Noz, da “tua” mousse, agora que a voltei a fazer. Daqui, acendo uma vela, imagino que sentes o abracinho e os beijinhos “ratolas” que só te dou a ti e aos miúdos. Sorrio ao imaginar o teu desconforto físico (confortável). Percebo agora que a tua linguagem de amor comigo era Atos de Serviço, enquanto a minha contigo era Toque. Engraçado como Toque enquanto Amor só é teu e do H. Deve ser do Amor que é tão grande que não cabe no meu corpo, mais pequenino do que os vossos. Que hoje brilhes ainda mais aí em cima, no nosso Céu de Madrid. Não és esquecida. E és sempre amada. Parabéns Anita. Tenho saudades tuas.

Que continue a ser um filme

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 Uma destas noites adormeci a ver um filme que adoro: “V for Vendetta”. Que me lembra que o povo tem poder, que, “no escuro há mentes brilhantes”, que o passado volta sempre para nos assombrar. Hugo Weaving é magistral - como sempre. A minha Londres é magnética, mesmo distópica. Adormeci a pensar que o passado se aproxima a passos largos. Mas sempre crente do poder dos membros da Resistência.

Sonhei com o Prince

Quem me segue há mais tempo sabe o carinho e a ligação que eu tenho o fantástico Prince. Pois que uma destas noites sonhei com ele. (Tudo muito propper, suas mentes depravadas!) Sonhei que fazia parte da família do próprio do Prince. E que passámos a noite de Natal todos juntos (a família do sonho era grande). Ao longo da noite "passeávamos" de sala para sala, enquanto o Prince nos contava em quem se tinha inspirado para escrever "x" música. Tudo enquanto agradecia a cada um de nós, pelo carinho que levou à inspiração. A cada sala que passávamos ele ia envelhecendo... e para o final do praticamente já só nos sorria. Mas é isso mesmo que guardo do sonho, o seu sorriso, a sua calma. O quanto todos o ouviámos e para nós, o Natal foi isso: estar lá, ouvir histórias e sentir gratidão. Um total oposto do Natal que vivo, faz mais de 3 anos. Mas deve ser para isso que servem os sonhos, não?

O trabalho presencial dá alegria e faz rejuvenescer

 Volta e meia olho à minha volta e penso: “já estou na parte dos “mais velhos”, no escritório. E depois… dou por mim a ensinar pessoal (mais novo do que eu) a usar o microondas ou a tirar descafeínados. Vai-se a ver e os últimos 20 anos não aconteceram. Isso ou os cuidados de pele são do caraças! 

Desconexão

 O cérebro, e por consequência, o coração andam um pouco desconectados de tudo l que se passa no meu mundo. Que é muita coisa, diga-se de passagem. Há quem possa olhar e dizer: m-M, para onde se te foi aquela emoção toda com que vivias a vida? Aaaah meus queridos, está cá! Mas canalizada para me manter à tona, sã. Sinto revolta, mágoa, descrença, cansaço. Gratidão, honra, vontade de espairecer, ler, ler muito. Mas tenho que gerir. Ir deixando uma ou outra vir ao de cima, dependendo dos dias…

O peso, as mulheres e a ansiedade

 Já partir antes que engordei 10kgs em cerca de 3 anos. Faço exercício, tento mexer-me. Mas devido à depressão e à ansiedade a minha relação com a comida mudou: ora passo horas sem fim, sem fome e sinto enjoos e olho para a comida e não quero comer; ora como o que me aparece à frente Mas desde as crises psiquiátricas tenho mais dificuldades em, literalmente, alimentar-me: estranho texturas, enjoo alimentos, tenho fases de fixação em certos alimentos. Já procurei nutricionista, fui seguida mais de 4 meses: zero resultados. E depois? Vou ao médico, por outros motivos, e todos me olham com cara de “podia perder uns quilinhos”, de “faça exercício”. Como se eu não estivesse a fazer o que consigo. Como se não tivesse noção. Como se fosse fácil.

Aaah a alegria de ter doenças crónicas

A minha depressão é ansiedade crónicas são "do contra". Pioro na chegada do verão; tenho crises extremas na época festiva. Este ano não foi excesso, pesando muito MESMO certos acontecimentos familiares.   Passou um mês e as palpitações, as insónias e o mal estar ainda não me deixaram. Pontos positivos da "edição" deste ano: zero ideação suicída, muito pouco recurso ao SOS, e sem necessidade de marcar consultas de urgência com a minha equipa. Vamos celebrar?   (Isso e o facto da consulta habitual de psiquiatria ser em menos de 3 semanas.)

E o concerto “a solo” de 2025?

Foi o do Tiago Bettencourt. Na zona de mobilidade, com boa visibilidade e sem dramas - parabéns à equipa do Campo Pequeno.   Foi bom matar saudades de um cantor que "me canta" bem. Lembrei-me muito da noite de dezembro de 2010. Mas ambos amadurecemos. O Tiago está rockeiro, autor com referências e frases bonitas. Eu, venci a vontade de não sair de casa. Tomei um duche, vesti uma saia e fui bailar as melodias. Enquanto esperei pelas tais que me ressoam por dentro (nuns casos tive sorte, noutros não).   Obrigado Tiago por me acompanhares sempre na pontinha de hedonismo que ainda persiste.

Em tecido

Sonhei que, décadas depois, nos encontramos numa cidade diferente. Que escrevemos, em tecido, como nos anos 90, os sentimentos dos anos que passámos juntos.   Sorri porque fizemos as pazes. E os sentimentos que ficaram, e que expressámos, eram dos bons.   A seguir, saí para a rua, de pedras escuras, e segui. Como a vida seguiu.

Metas/ decisões para o novo ano

Manter a terapia. Ansiar por não subir doses da medicação. Fazer os exames adiados pelo SNS. Voltar ao ginásio. Manter o gosto pela leitura. Passear e espairecer, quando possível - já fiz uma lista e tudo.   Pouco, bom, importante e interessante - chega e sobra para os próximos mais de 300 dias.

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Pode-se desejar. Pode-se ajudar. Pode-se até fazer mais de metade do caminho.   O vazio é real. O peso. A tristeza também.   Que tudo se pudesse resolver, a dor partir ou a tristeza apagar, com um livro e 3 gatos enroscados.

6 Natais

Este ano marcam-se 6 Natais sem ti. A saudade está cá sempre, qual água mole em pedra dura, a falta do lugar à mesa vazio, o pão de ló com queijo que já não comes; em como o Natal ganhou fôlego com os teus meninos. A falta que me faz pensar nos teus presentes. E no pijama e Rafaellos que tu me oferecias, nos últimos anos.  Eu que não gostava de receber pijamas... agora olho para a gaveta e os melhores são os que tu me deste. E as voltas que a vida deu entretanto? E o quanto o Natal é um peso e uma batalha, agora? E as vezes que me apetece ir "buscar-te por uma orelha" aí, porque me deixaste sozinha, a gerir tudo? Mas, por entre todas as chatices, reina o Amor. A falta que me faz pensar em surpreender-te. O facto de que não há sonhos de leite como os teus. A "luta" por quem faz o embrulho mais estranho para pôr debaixo da árvore...   Este ano o Natal está uma confusão pegada... se tu cá estivesses, gerias o Norte, e eu o Centro. Mas sabes? Preferia a confusã...

Yule

Segundo as "más-línguas", deveria ter nascido hoje, faz 40 anos.   No dia mais curto do ano, no solstício.   Gosto de celebrar este dia, não por mim, mas porque significa que, a partir daqui, há mais horas de sol, porque vem aí o Natal, todo um ano novo bate à porta. Faço a "sopa especial", faço as asinhas com paprika na air-fryer, faço o vinho quente caseiro. Acendo velas.   E, nem sempre, mas às vezes, penso no quão diferente poderia ter sido a minha vida se eu não tivesse nascido prematura - e como consequência, com uma deficiência. Faz muito tempo que deixei de desejar ter nascido a "tempo" e "normal", afinal de contas, só conheço a vida "assim". Mas Yule é isto, é sonhar. É ter pequenas tradições no meio de dias "normais".

Acho.

Mas só acho... Que este ano me sinto capaz de voltar a fazer a mousse de chocolate caseira, que fazia para a minha irmã.   Estou a pensar voltar a pegar na receita que está escrita na minha caligrafia de adolescente de 16 anos; e refazer a mousse para a passagem de ano. Que vai ser em casa, com os nossos pais.   Que será que as pessoas que passam no cemitério pensarão se eu for lá deixar uma tacinha? Será que ainda me sairá bem ao fim de tantos anos? Se a memória não me falha, não faço esta receita desde 2017...

Das pequenas coisas

Por malandrices do universo, este ano tenho reparado mais em "detalhes".   O amarelo-dourado das folhas das árvores; a forma como elas caem a fazer "túnel" quando vem uma ventania; o frio bom na pele da cara, ao fim do dia.   É de mim ou as folhas estão mais bonitas, este ano?

Alegrias de leitora #4

Ver uma das minha doenças crónicas (distimia) descritas num dos livros que li o mês passado. "Os interessantes" .   Ver como a medicação ajuda, ver como a vida pode equilibrar, como o equilíbrio existe. Como um momento pode mudar tudo. Como podemos ser amados, "mesmo assim". Como mesmo quem nos rodeia nem sempre consegue perceber como se vive "assim", mesmo fazendo o seu melhor. Até na vida profissional me senti representada. Não é uma visão cor-de -rosa, mas é verdadeira.   (Ah! E já ultrapassei a meta auto-imposta de "boa leitora".)

Pensamentos no ginásio

Olhar à minha volta... Ver o ginásio movimentado às 8h. E ver que é tudo: pessoal a treinar na sua; pessoal a treinar em casal; pessoal a treinar com os amigos.   Todos no seu mundo, sem confusões, sem conversas, com espaço para todos.   Vivam os ginásios sem aulas de grupo "da moda", vivam os ginásios de bairro.