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Deficiência e funcionalidade

Ultimamente tenho pensado muito em como não sabia, não me prepararam (os médicos e fisioterapeutas) e pouco se fala da perda de funcionalidade quando se tem uma deficiência. Para vos ser sincera, pensei que todo o esforço feito até aos 18/19 seria a funcionalidade e independência com que viveria, reforçada pelo esforço de fazer desporto e trabalhar com Personnal Trainers. Aos 40 anos vejo que não é assim. Que mesmo com esforço, de ano para ano perco funcionalidade, ganho dores, quedas, maus jeitos. E entristece-me. Dediquei 1/3 da minha vida à natação. 10 anos à fisioterapia ocupacional. Pago e bem pela ajuda de treinadores que tenho, já adulta. Fico frustrada. Chateada por não me terem informado. Nem comento com os meus pais, que tanto se "mataram" para ter uma filha "quase normal".

As pessoas e as amizades...

 Sempre fui pessoa de poucos amigos-amigos. Sempre dei toda a atenção e carinho a quem me aquece o coração. Daí me fazer tanta confusão ver pessoas adultas, pelo menos de idade, mudar de "melhores amigos" quando mudam de interesses. E dou por mim a pensar: há mesmo esse sentimento "todo" por muita gente? Não aprendi (mesmo) essa capacidade social.

Eu, numa música #2

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  A vida de uma pessoa com depressão crónica, digo eu.

Ser do contra

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 Chegaram os dias mais longos - e bonitos… Na maioria dos relatos que vejo, o pessoal fica mais animado. Faz mais planos. Eu? Tenho uma depressão que é do contra . Os dias melhoram, “eu” vou pela ladeira… Vontade zero, mantenho a funcionalidade, e vamos vivendo. Já percebi o padrão, já está falado com os médicos. Mas não consigo não ficar frustrada comigo.

As cegonhas enganam-se no caminho

 Há quem nasça na família “fora de lugar”, para aprender lições e crescer. Há quem se esforce e eduque e abdique… para, no final, ver o seu educando seguir o caminho “mais fácil”, o das tentações. Há quem nasça no papel “errado” na hierarquia familiar, tente comunicá-lo uma vida inteira, a mensagem não passe… e no final… reclame o papel da maneira mais difícil. Que a meritocracia não existe, que o esforço não garante resultados já eu sabia. Agora… que o Amor numa família não chega? Essa está a ser difícil de processar.

Baby-steps

Esta é uma partilha sem " strings attached ". Nos últimos 4 meses tenho fumado menos. Muito menos. Passei de 10 cigarros por dia, faz uns 10 meses; para 3 por dia, ou mesmo dias em que não fumo. Não foi nenhuma promessa, ou grande decisão. Nesta fase a ansiedade está mais calma - não posso dizer o mesmo sobre a depressão , mas é sazonal em mim - o que faz com que fume menos. Fumar para mim é um coping-mechanism , é um momento de "desligar o cérebro". E nos últimos meses faço isso a ver reels , a ler livros. A usufruir do perfuminho das velas enquanto vejo TV depois de jantar. Again , não estou a partilhar uma promessa ou um bater de pé. Estou a partilhar um momento de gestão pessoal , menos destrutivo.

First world problems cá de casa

Ando faz semanas “com desejos” de comer kiwi . Todas as semanas saio de casa e ponho na lista de compras. Vamos para a 4.ª semana em que me esqueço. Continuo a sonhar e comer um kiwi docinho , às rodelas, num prato.

Perspectivas

 Com o passar dos anos, confesso que uso o Instagram para “desligar o cérebro”, depois do jantar. Vejo reels, rio-me, um pedaço, envio alguns a amigos, et voilá. Mas nestas ultimas semanas, o Instagram tem sido malandro, ou amigo… depende da perspetiva. Tem-me mostrado reels que são a cara da relação com a minha irmã. As nossas piadas, lembranças de programas que víamos e canções da adolescência. E continuo a pensar nela. Fico triste que ela não esteja simplesmente do outro lado de um telefone, para receber e se rir também. E depois penso: ao menos o meu algoritmo mostra-me coisas giras e lembra-se dela também. (E acabo a enviar ao m-R e a contar a “história” associada).

m-M: a pseudo analista economicó-turistica

 Digam-me a verdade: está tudo ryco, menos eu? É que só vejo pessoal a viajar para o Japão. Viagens longas, várias paragens, muitas visitas pagas e compras. Sei, por pesquisas do m-R que são viagens caras prá xuxu… E eu aqui na luta de pagar contas, poupar, gerir o calendário e tentar fazer férias interessantes na Europa… Não, não é inbeija. É mesmo curiosidade. Espero que este pessoal todo não se esteja a meter em créditos pessoais… porque a vida vai dar uma volta para pior.

Das amizades

 Defendo, sempre defendi, que a Amizade é uma forma de Amor . - e já o disse aqui, com este "termo", faz anos. Não sou uma borboleta social, conto os amigos dignos desse nome pelos dedos das duas mãos. E o melhor? É saber que tenho Amizade-Amor espalhada pelo Mundo. Todas as estas pessoas são diferentes. Todas acrescentam à vida. Todas estas pessoas fazem valer a pena. Cada um, à sua maneira, me faz sorrir, me aquece o coração, me faz dar gargalhadas; partilham comigo vida, lembranças, momentos de m€rda e coisas chatas do adulting . m-M de 18 anos, ouve lá: cada pessoa chega por um motivo, cada pessoa fica o tempo que é necessário. Não vale a pena sentir dor por quem teve a sua fase e foi Ser, para outras paragens. Porque quando as almas que se reconhecem ? Deixam as melhores memórias/marcas/ pedaços na nossa alma.

Senti-me "representada"

 Esta semana vi várias pessoas com "regueifinhas" a treinar no ginásio. I am not alone! 😜

Dentro da minha cabeça

O que fazer com uma cabeça que me passa a perna? E fico com a certeza: chegou a sazonalidade do meu “ desequilíbrio químico ”. Faço planos para o meu bem-estar. E depois a minha cabeça convence-me a re-priorizar tudo. Lá se vai o exercício em casa , ou a leitura antes de dormir . Importante é limpar o chão. Tratar da roupa da casa. Dos gatos. Das compras de mercearia da semana. Adiantar o pequeno-almoço de amanhã. Quando é que eu consigo dar a volta à minha cabeça? Que até o duche deixa para o fim? Batamos palmas, esta semana bebi 1.5L de água todos os dias , e fiz refeições mais “bem comportadas”.

Não ter que lutar

 Não ter que lutar contra mim mesma, para sobreviver, é uma das maiores vitórias de fazer psicoterapia e ter apoio psiquiátrico, desde o meu burnout. Já não passo os dias a obrigar-me a fazer “algo” (sair de casa, ir ao ginásio, comprar coisas… etc.) para me enquadrar, ou na esperança de me sentir melhor. Ou ser melhor. Sei que não estou curada porque, por exemplo, voltei a uma fase em que me sinto “abaixo da média” em termos de energia e de alegria de viver. Tenho que me trabalhar para não dizer coisas más a mim mesma, sobre o meu peso, o meu corpo, a minha deficiência. Foco-me nas coisas boas: no meu m-R, nos minhaus, nos livros, nos amigos. Nos dias que estão mais longos, no Sol que vai regressando. E, acima de tudo, fico feliz por já não ter que lutar contra mim, e não ter pensamentos negros.

Meu Ary

Caminharemos de olhos deslumbrados E braços estendidos E nos lábios incertos levaremos O gosto a sol e a sangue dos sentidos. Onde estivermos, há-de estar o vento Cortado de perfumes e gemidos. Onde vivermos, há-de ser o templo Dos nossos jovens dentes devorando Os frutos proibidos. No ritual do verão descobriremos O segredo dos deuses interditos E marcados na testa exaltaremos Estátuas de heróis castrados e malditos. Ó deus do sangue! deus de misericórdia! Ó deus das virgens loucas Dos amantes com cio, Impõe-nos sobre o ventre as tuas mãos de rosas, Unge os nossos cabelos com o teu desvario! Desce-nos sobre o corpo como um falus irado, Fustiga-nos os membros como um látego doido, Numa chuva de fogo torna-nos sagrados, Imola-nos os sexos a um arcanjo loiro. Persegue-nos, estonteia-nos, degola-nos, castiga-nos, Arranca-nos os olhos, violenta-nos as bocas, Atapeta de flores a estrada que seguimos E carrega de aromas a brisa que nos toca. Nus e ensanguentados dançaremos a glória Dos nosso...

Traumas geracionais

 Muito se fala nas internets de fazer terapia para “quebrar traumas geracionais”. O que não contam é que podemos trabalhar em nós, perceber os padrões, fazer a nossa parte, mas se os traumas são causados por externos, também dependerá deles poder comunicar e ultrapassar. Ninguém fala, nas internets, de quando isso não é possível. A revolta que fica, a frustração. A sensação de “trabalho vazio”. Ficarei para sempre a perguntar-me se poderia ter sido diferente. Se eu e a minha irmã tivéssemos podido trabalhar juntas, se conseguiríamos resultados diferentes com os nossos pais. Trabalhar e viver sozinha, na luta… é uma merda.

Arte #1

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Parabéns!

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 Os outros dizem que o Céu está em festa. Eu digo que nós, os teus, celebraremos, para sempre, o teu dia. Farias 46 anos. Gosto de pensar que regressaríamos à tradição da Torta de Noz, da “tua” mousse, agora que a voltei a fazer. Daqui, acendo uma vela, imagino que sentes o abracinho e os beijinhos “ratolas” que só te dou a ti e aos miúdos. Sorrio ao imaginar o teu desconforto físico (confortável). Percebo agora que a tua linguagem de amor comigo era Atos de Serviço, enquanto a minha contigo era Toque. Engraçado como Toque enquanto Amor só é teu e do H. Deve ser do Amor que é tão grande que não cabe no meu corpo, mais pequenino do que os vossos. Que hoje brilhes ainda mais aí em cima, no nosso Céu de Madrid. Não és esquecida. E és sempre amada. Parabéns Anita. Tenho saudades tuas.

Que continue a ser um filme

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 Uma destas noites adormeci a ver um filme que adoro: “V for Vendetta”. Que me lembra que o povo tem poder, que, “no escuro há mentes brilhantes”, que o passado volta sempre para nos assombrar. Hugo Weaving é magistral - como sempre. A minha Londres é magnética, mesmo distópica. Adormeci a pensar que o passado se aproxima a passos largos. Mas sempre crente do poder dos membros da Resistência.

Sonhei com o Prince

Quem me segue há mais tempo sabe o carinho e a ligação que eu tenho o fantástico Prince. Pois que uma destas noites sonhei com ele. (Tudo muito propper, suas mentes depravadas!) Sonhei que fazia parte da família do próprio do Prince. E que passámos a noite de Natal todos juntos (a família do sonho era grande). Ao longo da noite "passeávamos" de sala para sala, enquanto o Prince nos contava em quem se tinha inspirado para escrever "x" música. Tudo enquanto agradecia a cada um de nós, pelo carinho que levou à inspiração. A cada sala que passávamos ele ia envelhecendo... e para o final do praticamente já só nos sorria. Mas é isso mesmo que guardo do sonho, o seu sorriso, a sua calma. O quanto todos o ouviámos e para nós, o Natal foi isso: estar lá, ouvir histórias e sentir gratidão. Um total oposto do Natal que vivo, faz mais de 3 anos. Mas deve ser para isso que servem os sonhos, não?

O trabalho presencial dá alegria e faz rejuvenescer

 Volta e meia olho à minha volta e penso: “já estou na parte dos “mais velhos”, no escritório. E depois… dou por mim a ensinar pessoal (mais novo do que eu) a usar o microondas ou a tirar descafeínados. Vai-se a ver e os últimos 20 anos não aconteceram. Isso ou os cuidados de pele são do caraças!