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Em tecido

Sonhei que, décadas depois, nos encontramos numa cidade diferente. Que escrevemos, em tecido, como nos anos 90, os sentimentos dos anos que passámos juntos.   Sorri porque fizemos as pazes. E os sentimentos que ficaram, e que expressámos, eram dos bons.   A seguir, saí para a rua, de pedras escuras, e segui. Como a vida seguiu.

Sorte grande

Olha lá Já se passaram alguns anos Nem sequer vinhas nos meus planos Saíste me a sorte grande! E eu cá vou Gozando os louros deste achado Contigo de braço dado Pra todo lado.   Sorte grande. De coração. De tamanho. Sorte de passarem décadas, e eu ver o homem feito, com os olhos e o sorriso de 12 anos, brilho verdadeiro. Mesmo com nuvens e chuva dentro deles.   Agora temos mais ruas que conhecem os nossos passos juntos. O teu abraço é porto-seguro; e espero que o meu te seja também, mesmo em fase de mudanças.   És ouro, qual azeite virgem (PORTUGUÊS) da mais alta qualidade. És bom, por dentro e por fora. És dos melhores homens que existem. E não estás sozinho. Posso ser a voz chata da racionalização, mas também a voz chata que te lembra todos os dias, que és humano dos bons, que és amor e carinho, que terás sempre beijinhos e abracinhos.   Este ano brindámos juntos, e com ginjinha, meu EVO. Venham os próximos 26 anos.

1998

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Pode parecer de loucos, mas penso muito neste ano, do nada.   Tinha 13 anos, adorava música, passava as tardes de sábado a ver o top+. Foi também por essa altura que me comecei a "entender" com o inglês, descobri o quanto adorava a cultura da Grã-Bertanha, como compreendia o humor e via os países como "meta de evolução".   No meio de tudo na vida tinha mais cor, mais som, mais energia, mais sonhos.   Lembro-me de ser o ano do "escândalo" do George Michael na casa de banho... e de como dei por mim a tentar explicar a colegas que sim, o homem tinha dinheiro para se ir divertir para sítios melhores; mas que o que ele fazia nos tempos livres era com ele, desde que se protegesse e toda a gente que participasse quisesse - entre risos e piscadelas de adolescentes.   Foi o meu ano dos flare-jeans e dos crop-tops - e dos óculos de sol coloridos, e das pulseiras largas... Mesmo que estejam a voltar, no "ciclo da moda"... já dei para esse peditório!  

Da infância

Faz hoje 22 anos que entrei para a faculdade. O meu curso era na rua paralela à casa do meu Avô-anjo. E se houve alguém feliz com essa minha conquista, foi ele.   Pena que faleceu 2 meses depois... E ultimamente tenho pensado muito nele. Nas saudades que tenho dele. O meu "único" avô, por circunstâncias dos adultos. Ele foi o elemento etéreo, feliz, sonhador da minha infância. Ele foi o meu Peter Pan, o meu maior fã.   É nele que penso quando penso na m-M pequenina. Nos sonhos, nas brincadeiras, nas aprendizagens. O bom? É que consigo ver o sorriso dele na minha mente, e o lugar dele à mesa também. E sei que isto é Amor. Sem tempo, ou datas.

Uma mão cheia

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5 anos sem ti. Uma mão cheia de vazio, prelúdio do resto da vida a viver sem ti. Sabes? Há dias em que parece que o dia em que foste descansar (merecidamente) foi noutra vida minha - e foi! Tem dias que parece que foi ontem. Tem dias em que, mesmo tendo já aceite praticamente tudo sobre o teres-me sido levada; sinto que, a qualquer momento te vou voltar a ver.   Os teus meninos estão cada vez mais parecidos contigo. Grandes, lindos, saudáveis. A fazer o melhor para continuar sem ti, mas sempre com uma sombra de saudade no olhar.   O nosso menino está um homem. Que pensa, que planeia, que sente, que falha, mas aprende. E a tua menina? Tão "2ª filha" quanto eu (gargalhada maléfica), tão perspicaz para tudo quanto é detalhe e sentimento. Sei que estás muito orgulhosa, aí em cima.   Já fiz as pazes com a tua campa, já não me "recuso" a ir lá; mas, os grandes momentos de conversa entre mim e o teu espírito, continuam a ser na cozinha.   Este ano bateu-me uma saudade dos ...

Untitled

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Estou na luta.

Estou desempregada pela primeira vez em 8 anos.   8 anos de muito trabalho, de grandes empresas, de me atirar ao trabalho para não lidar com luto. De ter um burnout . Mesmo assim não parei, propriamente, procurei um novo emprego e continuei.   Quando achei que tinha atingido o pináculo, para o qual lutei, tiraram-me o tapete, rebaixaram-me e mandaram-me para o desemprego, fazendo-me sentir inútil.   Quem me rodeia pede-me para descansar, diz-me que tudo se vai resolver rápido; que eu sou fantástica e depressa volto ao ativo.   Vão 3 meses disto, inúmeras entrevistas, várias fases finais em que fui preterida por outra pessoa. Estou cansada e desmoralizada, a sentir o relógio a tic-tac-ar, eu aqui... sem nada para apresentar de útil. Queria tanto conseguir encontrar motivação nas formações, acreditar no que os outros dizem que eu sou.   Mas faz 3 meses que apenas repito: estou na luta, e sorrio, sem grande crença ou nada para acrescentar.

Never trust your idols

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Fui uma adolescente fã dos BSB. O Nick Carter foi a minha primeira crush no que toca a celebridades. Perdi-lhe(s) o rasto quando me comecei a interessar por outros tipos de música; e, na minha mente, ele e as suas músicas, ficaram lá "atrás" como memórias musicais alegres, de outros dias. Tenho estado a ver este documentário - e caraças, o fulano não só era um  creep , como acomolou o pior das estrelas sem noção: sem humanidade, sem limites, sem coração... que podridão.   Nele, naquela família... Foi-se a adolescência e acho que já nem a música terá nada de bom associado...

Abril, és-me Amor

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Trazes liberdade a todos. E a mim trouxeste o meu avô-anjo e o meu afilhado. Os meus "homens" amor maior: sonhadores, Peter-Pans, doridos, nem sempre capazes, Humanos.   Já vivi mais anos sem o meu avô do que com ele, mas os nossos momentos, a sua postura, a sua capacidade de acreditar, sempre!, nunca me deixam - e com orgulho. O H. nunca o chegou a conhecer - e que falta lhe faz - mas tem muito dele. Mais uma vez, que orgulho! Está um homem, grande, trabalhador, estudante. Os valores? Esses nem sempre são os meus, os que tentei ensinar e incutir desde o dia 1. Nem ele gosta de discotecas - onde eu lhe disse (aos 4 dias de idade) que o levaria. Tem tanto da sua mãe que chega a assustar; mas um coração muito mais capaz de deixar entrar o Sol, se lhe é pedido.   Abril, grande, é lindo. Porque mesmo com saudade e distância, é-me feito de Amor.

Laços

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Há laços que tento desfazer - bonitos aos olhos de fora, cheios de nós, por debaixo da fita; para mim. Já pensei que me tivessem roubado a oportunidade, lutei por ela, o laço voltou, sob a forma de um lindo presente. Mais uma vez - meritocracia ao fundo! - o laço não é para mim. Fica só o nó na garganta, no coração, no cérebro. Que se esforçam, que se moldam, que se adaptam. Há que desfazer este. Lavar a fita de cetim, pô-la a secar ao Sol. Mudar-lhe as energias. Deixar o vento bater e escolher um novo caminho. Ainda vai chegar o dia em que conseguirei brindar a tudo isto, com vinho, do bom.    

25, mais um

Sei que viveste um sofrimento sem igual, no final. E os dias 25 lembram-me do 25/08 que te levou, mas também te libertou.   Mas há dias em que tenho saudades de fazer os 300 kms que nos separavam e pensar que ia entrar em casa, e ver-te melhor. Que ia poder sentar-me contigo no sofá e fazer-te festinhas na mão. Que ia poder dar-te beijinhos e abracinhos. Que ia poder ver-te comer, com a alegria de quem sabe que comida caseira é Amor.   Ao fim e ao cabo isto são saudades. E eu visto-as mesmo sendo o casaco feio e borbotado dos últimos dias, dos difíceis.   A saudade dói e não é bonita, só o é.

44 anos.

Seria a tua próxima capicua. E a minha mente não se consegue lembrar dos teus 33. Que irrnã de treta.   Lembro-me de ti. De dentro para fora. Inconscientemente quase todos os dias. Incluindo aqueles em que ainda me esqueço que me morreste e viverei o resto dos meus 26 de fevereiros sem ti.   Penso no teu sorriso, no teu cabelo perfeito. No quanto queria ser fisicamente como tu, porque me representas calma, na tempestade que vivemos (sabendo ou não).   Anseio pela tua voz, os teus bolos de aniversário, sabendo que não regressam.   Recordo-te em mim, no H., na L. Nos céus, de pés no chão ou lá em cima. Mantenho-te em quase todas as histórias, bonitas ou imperfeitas, porque enquanto assim o fizer, quem tu és permanece. E sinto ser essa a minha parte nesta história inacabada que és.   Parabens pela tua capicua. Amo-te, aqui, lá, onde estás e onde eu vivo. Tenho saudades de te abraçar, Anita.

Olho pela janela

E há dias em que penso: já vivi tão mais do que imaginava.   Agora percebo porque sofria nos 20's ao imaginar que nada ia acontecer da minha vida. Porque fugia para a frente, porque resiliência era o meu nome do meio.   E enquanto olho pela janela, percebo que foi isso que me levou "longe", a onde estou. Mesmo nos dias que parecem iguais aos de há 15 anos. O destino é outro, a cabeça, sempre na sua "linha" abaixo, já não desespera, "só anseia". Pensa muito, ainda mais nos outros do que em mim; mas entre os medos, reconhece pessoas boas, oportunidades, momentos, sortes, trabalhos.   Pela janela vejo o caminho que mudou a minha vida. Não com 2 filhos loiros, um sofá branco e um carro azul; mas com um percurso que é meu, para o bem e para o mal, conseguido por mim.

Das coleções, que são memorias

Mudamos o escritório/ estúdio de divisão. Para termos ambos mais espaço. Eu para o trabalho e os livros, ele para a música e o laser.   A arrumar as prateleiras, encontrei a minha coleção de postais de aniversário. Tenho postais desde 1997 até ao ano que passou. Foi de aquecer o coração ver as palavras, os desejos. Os marcos da vida. O primeiro postal que o meu Guica me ofereceu, escrito pela minha irmã, quando ele tinha 5 meses; a celebrar os meus 20 anos e a primeira festa de aniversário dele.   Postais feitos à mão; postais de pessoas que nunca deixaram a minha vida, postais de quem disse ficar para sempre e se foi. Postais da minha irmã, na sua letra perfeita, com as piadas desse ano. Postais de pessoas que ultimamente regressaram graças às redes...   Podemos ser pedaços na vida uns dos outros, mas se for em papel, é ainda mais bonito!

Do poder da música na memória

Aquela música será sempre a tua. A que ouvia acreditando nos sentimentos que contávamos de madrugada. A música que fala de princípios, de descobertas e de o que se acha ser Amar. Tal como nós fomos, faz pelos menos 3 vidas, contando de cabeça.   De ti, passam-se meses de que nem me lembro. Já a música é sempre bonita e faz-me sorrir.

Saudade

Esta semana expliquei a uma colega não portuguesa, o tamanho infinito da palavra saudade.   Falei de Fado e de emigração. E de como é algo unicamente português.   E não lhe falei de ti, Anita.   "Caiu-me agora" mais uma das fichas dos últimos 3 anos quando olhei para "aquela" foto. Aquela que eu tirei toda contente, com sorriso de rato.  E tu tiraste calmamente, com o teu sorriso fechado.   É uma merda o mundo continuar sem ti.