Tenho epilepsia, e agora? | Como lidar com crises:



Já não é a 1ª vez que falo por aqui de ter epilepsia, ou melhor, de viver com epilepsia.

Nunca o desenvolvi muito, primeiro porque durante anos o vi como uma fraqueza, depois porque a aceitei na minha vida, e chego-me a esquecer dela.

Já lá vão 11 anos diagnosticada, 17 desde a 1ª crise - que nem sabia o que era. E partilho agora, mais abertamente o meu caso (porque cada pessoa vive e sente a epilepsia de forma diferente...) graças ao Pedro. Há cerca de um mês ele partilhou o caso dele e pediu, corajosamente, que quem tivesse à vontade, partilhasse com ele a sua vivência. Plim! Apareci eu, porque em tantos anos, nunca tinha visto este tipo de abertura, esta vontade de conhecer.

 

Nas últimas semanas, temos vindo a conversar sobre escrever sobre os nossos tipos de epilepsia: eu tenho epilepsia de ausência, ele tem convulsiva.

Para quê? Para partilhar/ ajudar/ ensinar a lidar.

Porquê? Ora, porque se há textos, por esses blogues fora, cheios de dicas, para tudo e para nada... porque não escrever sobre um assunto que é real, que é "invisível", mas que podem ver acontecer em qualquer lugar? (eu cá, que sou féxon, já tive uma crise epilética numa paragem de autocarro...)


Passem pelo blogue do casal mais fofó-realista da blogosfera e vejam a história e as dicas do Pedro para lidar com epilepsia convulsiva.


Esta é a minha história e as minhas dicas sobre como lidar com uma crise e ajudar alguém que tenha epilepsia de ausência:

 

Epilepsia de ausência, no meu caso, pode ser confundida com uma perda de açúcar severa, no sangue. Foi exatamente por isso que demoraram quase um ano a diagnosticar-me... (num próximo post, se quiserem, posso contar-vos como, num hospital, chegaram a confundir uma crise minha com... toxicodependência )


A (minha) epilepsia de ausência manifesta-se por:


  • aumento/diminuição drásticaa de temperatura corporal

  • tremuras no corpo (menos fortes do que convulsões, quase como espasmos musculares)

  • perda de forças

  • palidez repentina e extrema

  • olhos baços

  • incapacidade de reagir, falar, responder

  • incapacidade de lidar com a luz


 

Nunca perco a consciência, mas apenas consigo concentrar os esforços do corpo em respirar. O que torna tudo mais difícil, porque ouço as pessoas preocupadas, mas não lhes consigo responder.


O que devem fazer?


  • deitar(-me), de preferência numa sala sem luz

  • continuar a comunicar, para normalizar a situação

  • dar água com açúcar, natural, em pequenos goles

  • segurar a cabeça, no caso de tremuras fortes

  • arejar o local/sala onde a pessoa está deitada

  • não deixar a pessoa sozinha, nas primeiras 4 horas

  • tentar facilitar o sono ao fim da 1ª hora, após a crise

  • não dar alimentos sólidos nas 3 horas seguintes à crise


 

Eu, já entrei numa rotina tal que, quando vou de férias com mais pessoas, quando começo um novo emprego, quando saio à noite com pessoas novas... já tenho um drill e um pitch pronto a apresentar... mas demorei anos a sentir-me à vontade e a reunir estes pontos.


Ao fim e ao cabo, tal como sinto com a PC, eu tenho a epilepsia, ela não me tem a mim ;)


Que acharam destes nossos posts, há questões desse lado?

Que mais gostavam de saber como é (con)viver com epilepsia?

Comentários

  1. A epilepsia é uma doença terrível.
    A minha avó tinha e uma vez, durante um ataque, caiu para cima de algo quente, talvez uma braseira e ficou com um braço queimado.

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  2. Este tipo de partilhas, com as mais variadas doenças/condições de saúde, são importantes. Há sempre alguém que se identifica connosco. Por outro lado, educa a população daquilo que deve fazer nestas situações. Ou pelo menos, torna as doenças conhecidas e não bichos de sete cabeças. Admiro a forma como encaras a tua situação, com positivismo e normalidade. Nem sempre podemos escolher aquilo que a vida nos reserva, mas podemos decidir a maneira como vamos lidar com os obstáculos.


    Beijinho!

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  3. Eu nunca convivi com a epilepsia de perto. Tinha um colega de faculdade que tinha várias crises, mas que escondia a doença e ninguém sabia. Um dia a conduzir de regresso a casa, teve uma crise em plena auto-estrada, conseguiu parar o carro e milagrosamente a ajuda não tardou pois acharam estranho estar alguém assim sem sinalização parado naquele local...
    Por vezes é melhor sabermos o que se passa e pelo menos como agir. Gostei muito de ler, e desejo que estejas mais "controlada", não sei se é possível de alguma forma...
    Beijinho grande e obrigada por este testemunho!
    És uma mulher de força!

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  4. Robinson Kanes29/06/17, 16:26

    Só tive acesso a relatos!
    Estes artigos ajudam sempre a elucidar sobre temas que não são muito falados. E pensar que a Epilepsia já foi considerada loucura e até possessão pelo Diabo...

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  5. Gosto dessa vossa partilha, acho que fazem muito bem porque faz falta ler testemunhos de pessoas reais.
    A epilepsia é uma doença que não me é, de todo, estranha. O meu pai e o meu irmão têm, sendo que no caso do meu irmão é particularmente grave - basta uma noite mal dormida, falhar uma toma da medicação, e pode provocar logo uma convulsão.
    Enquanto que o meu pai, em toda a vida, teve apenas 2 episódios convulsivos, o meu irmão teve tantos que já lhes perdi a conta. Começou em bebé, ainda com meses de vida, e  nem quero imaginar a aflição de quem presenciou. Apesar de controlada durante anos, no início da adolescência a epilepsia voltou a manifestar-se em grande. Acho que é uma altura particularmente complicada para quem sofre deste problema. Às duvidas e inseguranças características desta fase da vida junta-se a frustração: porque não pode sair à noite até de manhã, porque não deve passar muito tempo em discotecas, porque tirar a carta de condução é arriscado enquanto a doença não estiver controlada, porque não deve consumir álcool... enfim. Foi difícil para ele, e para nós. O último ataque foi há uns 3/4 anos e acabou no hospital. Apesar de as convulsões em si serem inofensivas, a queda foi violenta, rachou a cabeça e ainda esteve inanimado no meio da rua algum tempo até ser socorrido. Não é uma doença fácil, e não minto se disser que toda a família chegada vive um bocado com o coração nas mãos por causa disso.

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  6. Acho muito importante que se falem destes temas, parabéns pela coragem.
    É sempre bom sabermos como agir para conseguirmos ajudar.

    Assisti apenas uma vez a uma crise, na altura não sabia o que era, foi no liceu, não conhecia a menina, mas a escola inteira entrou em pânico.
    Informação é sempre importante.

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  7. Não fazia ideia de todos os sintomas... não é um tema que se fale muito, não :\

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  8. Gostei de ler, querida. É sempre bom saber. Isto não me é de todo estranho mas desconhecia muita coisa.
    Beijinhos.

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  9. Os meus parabéns principalmente porque se não te sentes à vontade ou tão à vontade, mas partilhas para tentar ajudar alguém, já é óptimo.
    Depois, nunca lidei com ninguém que tivesse essa doença.
    Desconhecia que existiam vários tipos.


    Acho que devias partilhar mais sobre esta doença, porque é como dizes, fala-se de tanta treta, porque não falar destas coisas que são sérias e úteis?


    Beijocas

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  10. Temos muito orgulho em fazermos parte deste duo! Desta partilha! Obrigado!! A sério, muito obrigado, por tudo isto! <3 :D 

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  11. Super importante! Na minha família há/havia epilépticos convulsivos. Assisti a várias crises e deixavam-me sempre impressionada. Acho muito importante as pessoas saberem o que é e como agir. Nunca sabemos se não podemos ajudar alguém numa situação semelhante, reduzindo as consequências da crise. 

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  12. Acho muito bem desmitificar estas coisas :)


    É uma doença chata como várias mas e tu és as provas podemos viver com isso e ser normais. E olha nem sabia que havia vários tipos de epilepsias. 

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  13. É, quando é assim como a da tua avó... uma doença "ninja".
    Eu estou a aprender mais sobre convulsiva com o Pedro mesmo.

    Espero que a tua avós tenha ficado bem!
    ***

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  14. Nos primeiros anos tinha vergonha e medo, assumo.

    Com os anos aprendi a conhecê-la e a mim, com ela.
    Percebi, pelos próprios médicos, que a epilepsia é ainda um bicho papão e nós, os doentes, pagamos caro por isso.

    Acho que um blogue, quando chega a uma certa senioridade, também tem este papel :)

    Obrigada eu!***

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  15. Esconder dá asneira, porque pimbas! Ela aparece e nós precisamos de ajuda...

    Sim, nesta fase, está tudo "calmo". Não falhando medicação e não fazendo asneiras (stress e mau dormir) já vou quase para 2 anos sem crises :)

    Oh, qual quê :D

    Beijinho grande querida,

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  16. Este é mais um :)

    Lá está, esses pensamentos antigos levam até a que médicos tenham más reações...
    É uma doença invisível, o que a deveria fazer mais discutida... devagarinho, chegamos lá :)

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  17. Obrigada eu, pela partilha - e força para os "teus homens"! :)

    Eu já tive fases como as do teu irmão... falhava uma toma, dormia mal, entrava em stress, saía à noite... qualquer uma... pimbas! Crise!

    Agora estou numa fase em que já há quase 2 anos não tenho uma crise - e coincidência, vou hoje à neurologista...

    Beijinho grande,

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  18. Obrigada eu, por leres :)

    Sei que é assustador, mas também sei que é uma questão de saber o que fazer ;) (tenho o exemplo lá em casa ahahah)

    Beijinho grande,

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  19. E todos eles diferentes...

    Há que fazer a nossa parte para mudar isso :)

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  20. Obrigada, meu doce :)

    A ideia da nossa troca é mesmo essa, fico feliz por teres gostado!

    ***

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  21. <3

    Obrigada querida! Pelo apoio e carinho!

    Iremos fazer isso então sim :)

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  22. Eu é que agradeço a coragem de começar esta fase e este caminho :)

    Beijo grande para os dois <3

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  23. Obrigada!

    As trocas de ideias com o Pedro fizeram-me perceber isso mesmo, não se fala, porque é invisível e porque há um monte de pré-conceitos, mas, exatamente por isso, é necessário falar, ajudar, "educar".

    Beijinho grande,

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  24. <3

    Eu também estou a aprender com o Pedro e com todas as partilhas :)

    Estou muito feliz por o tema ter sido bem recebido e compreendido :D

    Beijinho,

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  25. Robinson Kanes30/06/17, 11:19

    Sim, é daquelas doenças "camufladas" por muitos também…


    Um médico que ainda acredite nisso deveria perder a cédula profissional :-)

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  26. A Desconhecida30/06/17, 11:19

    Gostei bastante do post, obrigada pela tua partilha, minha querida! Beijinhos! ❤

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  27. Sem dúvida! Muitos parabéns!

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  28. Muito interessante este post. Eu tive uma crise de epilepsia terrível e extremamente forte quando era criança. Lembro-me como se fosse hoje a médica dizer que se eu não fosse tratada a tempo poderia ficar com graves sequelas. Felizmente após um tratamento de quase quatro anos tudo se normalizou e desde então nunca mais tive nenhuma crise. Já foi há tanto tempo que nem sei dizer que tipo de epilepsia tenho.
    Beijinhos

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  29. Complicado. 
    Desculpa a partilha, sem comparações, mas cá em casa quem tem epilepsia é o meu gato, desde sempre (16 anos). Mesmo medicado tem cerca de um ataque por mês. Convulsiva. 
    Assistindo a isto com frequência, nem consigo imaginar o que será sofrer pessoalmente. Tens crises com frequência?

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