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Agora já posso, já tenho idade

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Tenho passado as tardes de Domingo a ver uma série da adolescência (da minha irmã). BH 90210 . Lembro-me de ter 5/6 anos e estar a aprender as letras em Português; e a minha irmã ter um "tesouro", uma Bravo, em alemão!!!! (Que para mim era chinês) Tudo por causa desta série. Tudo por causa do Dylan - que ela e as amigas achavam giiiiroooo - aos meus olhos de hoje em dia... parece-me uma imitação do Elvis, e da Temu. Eu tentava-me meter na conversa dela e das amigas, e defender que o Brandon era mais interessante e tinha uns olhos mais bonitos (embora seja um bocadinho sonso demais) e que o Steve tinha ar de alemão maluco... mas ninguém me ouvia. (Mantenho todas as opiniões, todos estes anos depois, a cada episódio que passa) Passaram-se mais de 30 anos. Eu até aprendi alemão na escola - mas pouco consegui guardar na memória. E aos Domingo ou 4ªss lá estou eu: sentada, em frente à TV, a viver as aventuras de adolescente, e a perceber o fascínio que tiveram na mente adolesce...

O verão…

Realmente, o verão… Não me é fácil, e a cada ano perco a ligação a esta estação e ao seu “romanticismo”. Desde o verão de 2020: Perdi a minha irmã Tive um burn-out e fui diagnosticada com distimia e ansiedade crónicas Mudei de emprego 4 vezes (e só um caso foi “escolha” minha) Perdi a minha madrinha de batismo e outros familiares Tive 3 crises graves de depressão e uma alérgica - como já não tinha desde o fim da adolescência. Seis verões repletos de M£#%@! E ficam as dúvidas: quando poderei voltar a ter um verão minimamente humano? Será que o conseguirei reconhecer e aproveitar? As “férias” passam e eu nem lhes sinto o sabor ou reconheço a magia, o desmcanso. É que sinceramente, é cansativo viver amedrontada e exausta de maio a outubro…) Será que há uma palavra para hibernação, mas feita no verão?

O Evangelho segundo Jorge Palma

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Admito que só deixei o Jorge Palma entrar tarde, na minha vida. Admito que fugia das garantias de poesia , porque okhava para ele e me parecia difícil um Homem só, ser tão elogiado. E depois, entrou de rompante, disfarçado de Amor, ainda para mais. Mas, quando me senti só, e procurei palavras que me representassem, lá estava ele. Com palavras de esperança, de Humanidade, de Amor sim, também. Fica por vê-lo ao vivo - porque não tive companhia... E ficam aqui as tuas minhas palavras favoritas: O meu amor tem lábios de silêncio E mãos de bailarina E voa como o vento E abraça—me onde a solidão termina O meu amor tem trinta mil cavalos A galopar no peito E um sorriso só dela Que nasce quando a seu lado eu me deito O meu amor ensinou—me a chegar Sedento de ternura Sarou as minhas feridas E pôs—me a salvo para além da loucura O meu amor ensinou—me a partir Nalguma noite triste Mas antes, ensinou—me A não esquecer que o meu amor existe Até breve, Jorge - viverás, para sempre, no meu carro e n...

Lembra-te

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O que parece sonho pode meter medo. O cansaço reina, mas tu podes mais. Venham as lágrimas, o desconforto e a estranho. Que no fim, o relógio anda para trás, no Mundo que andou para a frente. E terminas o dia e a semana, a sair da toca , pelas obrigações; mas capaz de enfrentar um susto antigo , mas no terreno, na tua Casa. E mal ou bem, vendo assim, já ganhaste algo. Nem que seja só por hoje: lembra-te, nada ficou cor-de-rosa , mas o dia fechou com Sol e contigo um bocadinho maior, mais capaz. Ou, pelo menos, mais "tentadora".

Chegou o meu dia

 41 anos. De tantas conquistas, de tanta luta. De metas alcançadas, e de confusão sobre o dia que pode vir a seguir. Este ano, o meu aniversário não me anima,, não me dá friozinho na barriga. Traz-me tristeza vinda dos confins da mente, muito em que pensar, e uma enorme certeza de que estou vazia, por dentro. Um vazio feito de cansaço, de repetições de ciclos  que não pedi, de olhar para o espelho e não perceber como cheguei aqui. Ou para quê. Que se celebrem 41 anos da minha chegada. Amanhã será outro dia. E o único desejo que tenho é não estar neste estado mental, no próximo ano.

Arte #6

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Por caridade

 As piores saudades são as de nós mesmos. Bateram fui abrir era a saudade vinha para falar-me a teu respeito entrou com um sorriso de maldade depois sentou-se à beira do meu leito e quis que eu lhe contasse só a metade das dores que trago dentro do meu peito Não mandes mais esta saudade ouve os meus ais por caridade ou eu então deixo esfriar esta paixão amor podes mandar se for sincero saudades isso não pois não as quero Bateram novamente era o ciúme e eu mal me apercebi de que batera trazia o mesmo ódio do costume e todas as intrigas que lhe deram e vinha sem um pranto ou um queixume saber o que as saudades me fizeram Não mandes mais esta saudade, ouve os meus ais por caridade, ou eu então deixo esfriar esta paixão, amor podes mandar se for sincero, saudades isso não pois não as quero. Afonso Lopes Vieira, in 'Antologia Poética'

Meia dúzia

 Dito assim parece pouco, "nada", igual a uma caixa de ovos. Mas são 6 anos. 6 anos sem ti. Estranhamente, 6 anos num ano em que senti mais saudades, mais falta. Me senti mais perto de ti, te passei a ver em pequenos detalhes, "jeitos" ou "coincidências". Pode ser o meu lado racional a querer ter-te por perto, para tentar lidar com a saudade; pode ser o Universo a dizer-me que quando as pessoas que amamos parte, não ficamos MESMO sozinhos. Este ano foi difícil, tu sabes. Continuo a conversar contigo, continuo a ter dias em que nos imagino na sala, sentadas no sofá, e eu te conto as coisas. Ou nos vejo na tua cozinha, enquanto terminas um bolo e bolachinhas para entregar, a tomar as decisões de irmãs adultas - como naquela noite de fevereiro, lembras-te? Passaram 6 anos, e mesmo assim, é tão fácil voltar ao teu último aniversário, ou ao teu caixão naquela sala iluminada, antes de seguires para o crematório . É um orgulho meu ser tua irmã. Mesmo vivendo est...