Meia dúzia
Dito assim parece pouco, "nada", igual a uma caixa de ovos.
Mas são 6 anos.
6 anos sem ti.
Estranhamente, 6 anos num ano em que senti mais saudades, mais falta.
Me senti mais perto de ti, te passei a ver em pequenos detalhes, "jeitos" ou "coincidências".
Pode ser o meu lado racional a querer ter-te por perto, para tentar lidar com a saudade; pode ser o Universo a dizer-me que quando as pessoas que amamos parte, não ficamos MESMO sozinhos.
Este ano foi difícil, tu sabes.
Continuo a conversar contigo, continuo a ter dias em que nos imagino na sala, sentadas no sofá, e eu te conto as coisas.
Ou nos vejo na tua cozinha, enquanto terminas um bolo e bolachinhas para entregar, a tomar as decisões de irmãs adultas - como naquela noite de fevereiro, lembras-te?
Passaram 6 anos, e mesmo assim, é tão fácil voltar ao teu último aniversário, ou ao teu caixão naquela sala iluminada, antes de seguires para o crematório.
É um orgulho meu ser tua irmã.
Mesmo vivendo esta coisa boa, sozinha.
O Amor incondicional é assim, vive e aquece o coração, mesmo estando separadas pela vida - e pela morte.
Tenho saudades tuas, Anita.
Tenho saudades de te dar um abracinho "chato", de te ver sorrir à mesa numa refeição de família tenho saudades das tuas expressões faciais.
E amo-te, sempre, todos os dias, tanto como no dia em que partistes, até ao fim da minha vida.
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