2017 em 2018

Sim, vocês, pessoas fófinhas que me aturam, sabem: eu sou do contra.


Eu gosto de pensar, de medir, de considerar - e por isso, decidi não passar aqui com o balanço de 2017, em cima do joelho.


 


Ao 2º dia de janeiro já consigo ter uma ideia, com menos "barulho das luzes" do que foi 2017, do que me trouxe.


Sim, cumpri as minhas superstições (o batom vermelho, a peça de ouro, a roupa nova, a nota na mão direita e os desejos com 12 passas - sultanas também contam, certo?) e cá estou eu, pronta para mais.



 


2017 foi um ano "partido ao meio". Vejo agora que, até julho, limitei-me a sobreviver. A viver por arrasto. A viver preocupada. A dar, dar, dar. Enquanto me senti presa a resultados sempre iguais.


Depois chegou julho. O quente, estranho julho.


Depois de semanas fora, depois de dias de trabalho de 12 horas, depois de stress e muito cansaço... tirei uma semana para mim: médicos, família e o que eu pensava que iria ser descanso. Mas não foi assim: em 3 dias... os avisos, as chamadas de atenção, a desilusão e a noção de que estava presa, fizeram-me abrir os olhos.


 


Vamos ser sinceros e verdadeiros: de que me serviram 9 meses de terapia (que também deixei em 2017) se não me conseguia ver? Estava a trabalhar no vazio, com uma (pseudo) profissional que vê a psicoterapia como uma forma de alienar pessoas.


Pedi ajuda cegamente. Pedi ajuda em desespero. Para perceber que a pessoa em quem confiei para me ajudar, não o iria fazer, porque não vemos o mundo da mesma forma - não que isso a tivesse coibido de me esmifrar 4 meses de consultas sabendo isso e mostrando crescente desinteresse e quasi-asco por mim...


Percebi agora que, a corrente que estava a trabalhar é tão baseada no egoísmo e no apontar de dedos (ao contrário de responsabilização), que dei por mim a afastar tudo e todos, amargurada, focada no mal de cada um, com as expectativas mais altas do que nunca, enquanto não conseguia deixar de me deitar abaixo, numa constante insatisfação e tristeza. Talvez porque quanto mais negro vemos, mais negro o horizonte se transforma?...


 


Depois... cortei. Cortei A relação tóxica! É verdade que alguns amigos e conhecidos me foram avisando: "Olha que o que vês como Amor não tem nada traços disso..." ou "Olha que estás a dar sem retorno..." ou "Olha que isso não parece nada uma amizade saudável". 


Durante 9 anos desculpei. Ceguei. Não quis ver. Agarrei-me ao Amor que sinto e às migalhas que me eram dedicadas, em nome de dias passados e de fases difíceis ultrapassadas.


E em julho... do nada, como resposta a mais um momento de dar...: chapada. Falta de consideração, falta de respeito. Pior, olhar e ver invólucros vazios, pessoas ocas, perdidas, repletas de maldade. E não me revi ali. Nem usando a capa da ironia, do sarcasmo e do humor negro.


Custou. Chorei dias sem fim, senti mágoa e tristeza em muitos dos meus dias. Ainda hoje, há dias em que a minha voz se altera quando tenho que tocar neste assunto. Mas, lentamente, qual barquinho de papel, largado no rio, para seguir a corrente: deixei ir. 


E sim, quem me chamava à atenção, tinha razão: larguei e raros são os dias em que há retorno. E eu? Eu cada dia dedico menos da minha energia a esta relação.


Trato-a como um amor bonito que se extinguiu: acarinho a memória, mas não a procuro. Vivo sabendo quem fui e sou, o que dei, sem pesos na consciência. Mas não espero.


E de repente, sim, a vida vida ficou mais solta, mais leve, mais disponível para todo o resto que se passa, "cá fora"!


 


Em julho tomei, também, a grande decisão de mim por mim. Regressar ao ginásio, 7 anos depois.


2 a 3 vezes por semana, lá estou eu. Eu e os meus 3 planos pela motricidade, pela perda de peso, pela mobilidade. Eu e o R.


Nem sei dizer há quantos anos não tomava uma decisão tão "egoísta", só para mim. E é isso que o ginásio me é: me time!


Em 4 meses e meio as quedas diminuíram, o equilíbrio melhorou, a extensão de movimentos (tanto de braços como de pernas) nem tem comparação! E, "pelo meio", em dezembro tinha perdido 4 kgs e 6 cms de volume! #winwin


É lá, muitas vezes nos 15 minutos de passadeira finais, que penso (calmamente na minha vida), é lá que, entre remo com 30 kgs e 60 repetições de TRX, percebo o quão pesada estava a minha vida, porque a vivia focada e centrada nos outros. E a diferença que 1.30h minha faz à minha cabeça - em comparação com o "tempo perdido" em terapia.


E sim, continuamos a nossa re-educação alimentar, acrescentando uma alimentação low-carb à noite, o maravilhoso mundo do chocolate negro com framboesa, e o iogurte e os queijinhos como snack-mata-desejos. Mas continuando a adorar comer (a alegria que é descobrir um novo restaurante que nos enche as medidas, hein?), só ficamos enfartados mais rapidamente! :P


 


Em julho tomei a decisão de dizer adeus ao meu Micrinha, ao MEU carro, meu sinal de independência. E doeu. Não me desfiz de um objeto, disse adeus a um amigo, a um companheiro de muitas horas. Com pesquisa e tempo e em mais um projeto a dois, eu e o m-R encontramos a nossa Mégane, branca, linda e alemã. Que agora é NOSSA, que eu amo conduzir, que me faz querer sair de casa. Que me faz sentir parte de onde estou. E da qual não tenho medo, apesar de ser enoooorme!


 


Em julho sentei-me e conversei com o m-R. Sobre imagem corporal, sobre a minha forma meia fria, meia atabalhoada, meia medrosa de lidar com o mundo. Sobre o quão estagnada me sentia. Sobre o que podíamos fazer para "desencalhar".


Os últimos 5 meses trouxeram-me a capacidade de voltar a ver o m-R com olhos de "meu amante e meu amigo", meu companheiro de loucuras, minha companhia favorita para as novas aventuras - porque sim, o amor é muito lindo, e lá em casa há muito, mas 5 anos trazem comodismo e habituação... e não há que ter vergonha de querer lidar com isso.


 


Vieram então as viagens, dentro e fora de Portugal. O aprender a desligar o cérebro sempre que saímos da "rodinha de hamster". O voltar a ter dias de olhar para ele e sorrir verdadeiramente porque me relembro do quanto adoro os olhos dele. Sair do país foi uma aventura com episódios loucos, mas temos dias em que ir ao supermercado nos traz as mesmas gargalhadas. Já para não falar no paraíso que é sentar-me com ele e o Snape no sofá!


 


Desde o verão que decidi viver mais também a minha casa. Aproveita-la como não o tinha conseguido fazer ainda. A compra da nossa casa não foi fácil. Trouxe ao de cima coisas muito feias nas pessoas que mais nos deviam apoiar. E a verdade é que dei por mim a viver na minha casa, com medo. Muito medo de estar a fazer "tudo para nada"... Não sei dizer o que se passou... depois do chá de panela, depois da Páscoa, com a Primavera (talvez?) deu-se um click. Quero mais receitas novas na cozinha, mais filmes no sofá, mais sestas na sala. Mais pechinchas em 2ª mão para ir completando a mobília. Mais petiscadas com os amigos que merecem entrar em nossa casa. Libertar a casa de embalagens vazias, velhas, coisas partidas ou que não são a nossa cara, só pelo valor sentimental...


 


Os últimos 5 meses de 2017 mostraram-me que sim, é verdade o cliché: a vida muda quando nos decidimos a fazê-la mudar. Não temos que o fazer em grand gestures, não temos que o fazer todos os dias, não temos que ser mais do que ninguém, mudar da noite para o dia. 


Tudo começa com um pensamento, um exemplo, uma atitude. O resto? Cabe-nos, a nós!


 


2018 chega com uma enorme nuvem, que sabemos, vai trazer tempestade. Choro, tristeza, negridão e incerteza. Vai fazer tremer os alicerces. Renasceu um monstro que me doí e me assusta. Mas a força que reunimos em dias calmos, vai ser a que nos vai ajudar nos dias maus.


Por isso, para 2018? Mais "disto". Mais evolução positiva, sem perder a capacidade.


 


E vocês? Quais são os vossos grandes desejos para este ano fresquinho?

Comentários

  1. Sabes? Gosto tanto de te ver dar estes pequenos passos, de te ver crescer, deixa-me tão orgulhosa de te acompanhar :) Fico contente com estes teus últimos meses, a mudança começa mesmo nas pequenas coisas :)

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  2. Só desejo que seja um ano de coisas boas e de muitas alegrias, eu estou confiante com isso :) Beijinhos*

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  3. Se encarares com optimismo, tudo será mais fácil de ultrapassar! Pensamento positivo...
    Nestes primeiros dias ,estamos à espera de fazer um exame e receamos o resultado, receio muito por ele, mas pensamento positivo! E apesar de poder parecer o pior, até lá poderá ser muita coisa! Também sofro muito por antecipação, mas sejamos sensatos, o que for será e no momento teremos todo o tempo do mundo para reagirmos!
    Beijinho grande e continuação de bom ano!

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  4. Ia fazer um comentário todo fofo mas puseste-me a chorar. Sabes como foi o meu 2018 não sabes? Bora nessa amiga...tudo vai ficar bem!


    #emojiabracinho

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  5. Desejo-te um 2017 melhor que 2018, e que todas as desilusões e momentos menos bons se transformem em boas aprendizagens, e momentos de experiências!
    Muitos beijinhos para ti! 

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  6. Robinson Kanes02/01/18, 16:04

    Que grande e completo "diário" :-)


    E que tal canalizar todos esses sucessos de 2017 para 2019? Porque é que as coisas boas têm de ficar armazenadas e as más têm de perdurar? Seja que monstro for, não deites por terra os sucessos conseguidos, pois isso ajudará a que possas ter outras armas e forças perante uma situação menos boa, seja ela qual for.

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  7. Volto a repetir... só de falares, de "admitires" é meio caminho andado.
    Só falta a "outra metade" que tenha a certeza que com calma, consegues tudo =)


    Planos para 2018 não tenho.
    Quero apenas continuar a tratar de mim e a arriscar, pois continuo a achar que arrisco pouco. Tenho sempre medo e penso demasiado nas coisas. Mas acho que nisso entendes-me =)


    Beijocas e bom ano minha querida.

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  8. Que 2018 seja um ano muito melhor!


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  9. Oh minha querida, deixas-me sem palavras.


    Eu sou só humana <3

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  10. Torço pelos teus ótimos desejos :D


    Beijinho,

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  11. Verdade! :)
    Nem sempre é fácil, mas faz toda a diferença! ***

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  12. Sabes que há ali e aqui todo uma parágrafo que te é dedicado, que só aconteceu, graças a ti, não sabes?

    Salvaste-me em mais dias do que consigo contar, mas sem vergonha de admitir.


    Vamos ficar bem, porque não estamos sozinhas, Maria!
    #emojiabracinho

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  13. Muito, muito obrigada querida! <3


    Beijinho grande,

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  14. Obrigada querido! :)

    Para 2019? Já? ;)

    Este monstro de que falo, não me pertence... acredita, levo os dias o melhor que posso, sabendo que chegou e que levará parte de nós com ele.
    Mas sempre com o mantra: "a vida continua e não vai parar".


    E, tu sabes, isso já é uma grande evolução aqui para a je ;)

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  15. Aaaah sabes que nisso somos semelhantes, não sabes minha querida? ;)


    Sabes qual foi o meu truque para os últimos meses? Não stressar tão depressa no processo de pensamento.
    Mas no que puder fazer para te ajudar, conta comigo <3


    Beijinho enorme!

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  16. Obrigada querida, de coração! :D

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  17. Bela reflexão, quem me dera conseguir documentar assim os anos...

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  18. Ooooh... olha que isto foi só de cabeça, sem entrar em detalhes :P

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  19. Estava a ler o teu post e estou-me a lembrar um post que fiz em que estava com os mesmos sentimentos, em que a desculpa "falta de tempo" fala mais alto sempre que reclamamos atenção ou tempo. Na altura tinhas comentado precisamente a tua situação.

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  20. Robinson Kanes03/01/18, 09:15

    Ups, 2018 :-)


    Dia-a-dia, sem stress e antecipações do que ainda não é certo :-)

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  21. No meu caso a terapia resultou, e este ano será um cimentar do ano anterior, acho que estou a trilhar o caminho que escolhi! Que este 2018 não traga nada desse monstro que te está assombrar!

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  22. Estou a fazer o meu melhor, crê-me ;)

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  23. Muito amor, minha querida! <3

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  24. Olá! :D


    Que sejas muito bem-vinda!!!
    Este texto foi agridoce: não foi de todo fácil, mas libertou-me e liberou-me. Por isso te fico tão grata pelo carinho <3


    E faz desta a tua casa. Terei muito gosto :)


    Beijinho,

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  25. É verdade! 
    Por isso te disse "é um gosto acompanhar os teus dias, mesmo longe" :)

    No meu caso a desculpa é "as pessoas mudam"... mas foi o suficiente para eu perceber que a relação também tinha que mudar.


    Beijinho grande,

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  26. A mim desiludiu-me, especialmente porque tinha uma confiança enorme nesta pessoa, que tanto me ajudou há 6 anos...
    "Terapiei-me" e olha, tem resultado! ;)

    Desejo-te um 2018 construtivo, e muito positivo <3

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  27. Desculpa a sinceridade, mas quem diz isso, não merece que se perca mais tempo com essa pessoa!

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  28. Não tens que pedir desculpa :=

    Agora, consigo ver as coisas como tu e dar-te razão...

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