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Nas últimas semanas, sempre que vou para o jardim; passa uma borboleta branca. Às vezes, mais do que uma vez. E aí, sei que são vocês. E que não estou sozinha. (Obrigada, alguns dias são a minha motivação para sair de casa)

Solisticio de verão

 Hoje é o dia mais longo do ano. E as saudades que eu tenho de quando este dia significava planos de verão? Ansiedade boa pelo S. João? Este ano? Só veio confirmar a sazonalidade dos meus problemas de saúde. Agora é oficial, diagnosticado. O verão faz me pior, à vida. Sou mesmo do contra. Veio mais um comprimido para a coleção - e nem funcionou. E bate a saudade. Dos bolos da minha irmã. E do sorriso. E das piadas. E do abraço. De ir à praia, de ver o mar. De ter planos, sem querer fugir deles. De saber como se sai deste sentimento de confusão, de encolher de ombros (em frustração) eterno.
Tudo o que vive na minha cabeça são dúvidas, vazio, medo e confusão. O quê que faço enquanto isso? Formações online Investigo Pós-Graduações Executivas Leio livros... Posso não dar para mais, mas alimento o meu cérebro sub-par.

Peso

A vida consegue dar voltas. E o peso de pinheiros adultos, caídos, no chão. E eu dou por mim a adorar as vistas das janelas, e a ter medo de olhar para o chão, lá ao fundo. Acho que sou a prova provada de que medicação é trabalho psicológico e psiquiátrico salvam a vida. Mas que o peso da vida ganha, mesmo que os medicamentos e as aprendizagens sejam grandes, positivos e auxiliares. Hoje tenho o peso de uma árvore caída, no meio da floresta.

A estrada vai continuar?

Dei por mim no carro. A horas fora do comum. Enviada pelo Waze por caminhos (bonitos, verdes) que não conhecia. Tocou, sempre presente na playlist, a música que gostaria que alguém, em algum canto do mundo, toque no dia da minha morte. Enquanto percorria estradas das quais não conhecia o fim, pensei nisso mesmo. No fim. Em como a luta cansa. Não traz segurança. A meritocracia morreu. E eu podia ir, também. Numa viagem eterna por caminhos longos, bonitos e desconhecidos. Até que o meu combustível é o do carro terminassem. Com a playlist a tocar. Simples assim.

Arte #4

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Deficiência e funcionalidade

Ultimamente tenho pensado muito em como não sabia, não me prepararam (os médicos e fisioterapeutas) e pouco se fala da perda de funcionalidade quando se tem uma deficiência. Para vos ser sincera, pensei que todo o esforço feito até aos 18/19 seria a funcionalidade e independência com que viveria, reforçada pelo esforço de fazer desporto e trabalhar com Personnal Trainers. Aos 40 anos vejo que não é assim. Que mesmo com esforço, de ano para ano perco funcionalidade, ganho dores, quedas, maus jeitos. E entristece-me. Dediquei 1/3 da minha vida à natação. 10 anos à fisioterapia ocupacional. Pago e bem pela ajuda de treinadores que tenho, já adulta. Fico frustrada. Chateada por não me terem informado. Nem comento com os meus pais, que tanto se "mataram" para ter uma filha "quase normal".

As pessoas e as amizades...

 Sempre fui pessoa de poucos amigos-amigos. Sempre dei toda a atenção e carinho a quem me aquece o coração. Daí me fazer tanta confusão ver pessoas adultas, pelo menos de idade, mudar de "melhores amigos" quando mudam de interesses. E dou por mim a pensar: há mesmo esse sentimento "todo" por muita gente? Não aprendi (mesmo) essa capacidade social.