As fases do Luto

(Vamos a caminho de 6 anos sem a minha Anita... por um lado: how's that possible?; por outro: falta o resto da vida).


Que se lixem (com f) as fases do Luto.

Não as sei, nem as aprendi.

Simplesmente tenho vivido, sobrevivido nestes anos.


No último ano voltei a sonhar com ela.

Comecei a ter momentos em que olho ao espelho e vejo semelhanças no rosto e nas expressões - nós que não somos parecidas em quase nada.

Ganhei ainda mais gosto em falar dela, dos miúdos, dos bolos, das piadas - quase tanto como quando ela estava aqui.


Resultado: sinto ainda mais (se tal é possível) saudades.



E sabem o que tem ajudado?

Abraçar o Kiwi - que entretanto, com a idade, aprendeu a gostar de colo e ronrona e tudo.

Lembro-me instantaneamente do quanto ela gostava deste bichano, o quanto ele lhe fez companhia quando ela soube que estava doente e estava fechada em casa, entre tratamentos, antes do transplante.

O gato pequenino que ele era, mas que ela adorava.

Como ele dormia aos pés dela, quando ela voltou para casa, do hospital.


Como ele, ainda hoje, apesar de comprido e de ter o mesmo peso que o Snape e o Freddie; é super cuidadoso e suave a saltar para o colo, ou a subir para a cama; como se não a quisesse acordar do sono de que ela precisava tanto.


O Luto não tem as fases de que os livros falam.

O Luto pode ser peludo e fofinho, como um gato.



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