Pareço uma criança feliz, daquelas que aprendem a usar o penico:

Sim, o título é parvo.


Só para verem o estado em que estou.


 


Ontem, uma conversa séria, que andava a "pedir" mas a fugir dela, ao mesmo tempo, há cerca de 2 anos... aconteceu.


Convidamos o outro membro masculino da banda do m-R para ir lá a casa, por alguns dos problemas causados, em pratos limpos. Já que no sábado vamos calhar de ir ao mesmo evento de Halloween.


 


O m-R expôs o seu lado, o P. respondeu, expôs o dele.


Eu guardei-me para último.


Bem senti o corpo tremer de ansiedade. Mas quando chegou a minha vez, falei.


Medi palavras, fui construindo o meu discurso para não cair nas minhas armadilhas negativas habituais. Não deixei de dizer nada do que tinha entalado na garganta, há anos, para dizer.


Confessei que ando em psicoterapia, em parte também devido a eles. à dinâmica destrutiva da banda, ao mal que me fizeram sentir, ao quanto me ostracizaram. E não escondi que muito do que disse foi, para mim, também, um exercício com as ferramentas que tenho tentado ganhar nas sessões.


Não me beatifiquei. Não ataquei a pessoa do outro lado. Pedi uma tábua rasa, com o mínimo de expetativas.


 


Quando o P. saiu lá de casa, ainda eu estava em awe de tudo o que fiz e disse. Do quanto me consegui trabalhar para lidar e sobreviver positivamente àquela conversa.


 


Daí sim, hoje, sinto-me uma criança feliz, como as que aprendem a usar o penico, porque sabem que atingiram uma tarefa ao nível "dos adultos".



 E é isto que é viver com depressão e ansiedade. É conseguir ter e sobreviver a uma conversa com uma das pessoas que nos fez mal.

Comentários

  1. Um "tirar de chapéu" para ti e uma "salva de palmas" logo a seguir. Aos poucos vais chegar onde queres. Ou onde precisas chegar.

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  2. Tens motivos para estares feliz. Não é fácil deitar cá para fora as coisas que pesar de sabermos serem correctas sabemos que nos podem afectar ainda mais.
    Acredito que te sentes bem mais leve.
    Espero que essa conversa traga melhor ambiente.
    Beijinho

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  3. Attagirl :)
    Estás a ficar uma menina mulher adulta ;p

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  4. Nada como pôr tudo em pratos limpos, pode ser desagradável, mas depois sentimo-nos melhor.

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  5. Boa! "Yes, you can!" (para combinar com o Obama)

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  6. Aposto que te saiu um peso enorme de cima!

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  7. Excelente! Muitos parabéns :D não há alívio como ser sincero!

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  8. Chama-se crescer a todo esse processo, enfrentar, falar, ouvir. No começo até pode ser doloroso, mas no fim sentimo-nos melhor connosco. É uma sensação boa.

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  9. Os meus parabéns pela tua coragem. :D A minha única dúvida é... ficaste feliz quando aprendeste a usar o penico? Eu não me lembro que tivesse sido um marco assim tão marcante da minha infância. Mas também não me lembro de nada da altura pré-penico.

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  10. Sabes que eu também tenho esses tremores, quando estou com as chefias. Quando sinto que estou a tremer as lágrimas vem-me aos olhos. Tento não mostrar a minha depressão que vai e volta. Bjs

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  11. Obrigada, de coração! :)

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  12. Verdade!
    Neste caso não o fiz, sempre a pedido de outros.
    Ao fim de quase 3 anos, pôde acontecer e acho que me fará bem.

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  13. Siiiiiiiiiiiim!
    E a noção de que não é uma obrigação lidar com eles nem criar falsos laços de amizade, por ser o expectável da sociedade.

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  14. Não foi propriamente doloroso.
    Estava era muito nervosa.
    Agora, sei que não apaguei o passado, mas expressei-me, apresentei a minha "verdade".
    E tudo ficar mais leva, a partir de agora :)

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  15. Ahahahah!
    Confesso, fiz esta analogia lembrando-me do meu afilhado, há 10 anos LOL

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  16. Exato! :)
    Temos que enfrentar é a depressão, pela nossa saúde!

    Beijinho,

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  17. Step by step and yes, you can.
    Parabéns pela coragem. Desfruta dessa sensação de alívio e força e lembra-te de como é quando voltares a precisar de dizer o que já chega de calar.

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  18. Sim :)
    Vou fazer por isso - a ver se transformo esta sensação em mais uma ferramenta!

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  19. Uma ferramenta muito poderosa! Para teu próprio bem estar.

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