Da depressão - A Vida num Degrau (livro):
Ontem recebi em casa o livro "A Vida num Degrau" que ganhei num passatempo promovido pela página Essenciais por Marta V. e pela editora Pactor.
Quando resolvi participar neste passatempo a finalidade não foi só ganhar mais um livro para a minha coleção. Por muito que eu adore livros com testemunhos reais. A finalidade foi aceitar ler sobre uma doença que faz parte da minha vida, há mais de 20 anos.
Realmente é como viver num degrau. Sempre divididos entre dar um passo para cima, ou sentirmo-nos, de novo, a descer as "escadas interiores", até à nossa "cave".
A depressão é um tabu. É mal compreendida. É minimizada e exagerada, ao mesmo tempo.
Eu tenho depressão crónica.
Tive a minha 1ª depressão aos 9 anos, resultado de uma doença que me afeta (ainda hoje) o sistema imunitário. Do alto da minha ignorância infantil e da falta de noção dos meus pais (por muita vontade que eles tivessem de me ajudar), achei que o melhor a fazer, o mais "fixe", era enganar os psicólogos a que me levavam. Entrava na sala, sabia-me a ser avaliada, dizia o que eles esperavam ouvir, portava-me muito bem e no final, lá vinham eles, de sorriso nos lábios, minimizar a situação e dizer à minha mãe "que isto passava".
Tive esgotamentos nervosos aos 15 e aos 16 anos. Por exigir demais de mim. Sabia que só eu mesma tinha que puxar por mim, porque mais ninguém ia puxar. Sabia que tinha que ser a melhor aluna, porque ninguém espera que uma aluna com PC, no ensino regular, seja a melhor aluna. Suportei bullying e professores que me humilhavam e discriminavam, sempre sendo a melhor. Mesmo que isso significasse não dormir, chorar todos os dias e só ter os misfits da escola como amigos. E o mesmo se aplicava ao meu único hobby: a natação. Ser a melhor, nadar mais, chegar mais cedo, ficar mais 10 minutos, cada semana mais piscinas nadadas. O engraçado aqui foi que, tendo 4 propostas para competir, fugi sempre de ser uma nadadora "profissional". Coloquei sempre o sonho dos meus pais - e a minha expectativa pessoal - de ser a 1ª licenciada da família, em primeiro lugar.
Durante os anos de jovem adulta, incorri em vários hábitos um pouco destrutivos, para não me deixar cair na depressão. Não comer, não dormir, falar sozinha. Ver toda e qualquer rejeição como um ataque pessoal. Cuidar de tudo e de todos para me sentir útil. E é o que ainda faço.
Claro que resvalei para o lugar mais negro da minha vida quando a faculdade acabou. Demorei a conseguir emprego. Acabei a pagar para ser "voluntária" e ter qualquer coisa para fazer. Tudo isto enquanto, aí sim, os meus pais se tornaram loucamente exigentes - maus hábitos que eu alimentei, para me sentir amada... - e vivia para os servir (sim, a palavra é forte, mas é mesmo essa). Nunca sendo boa profissional o suficiente porque lhes tinha "custado dinheiro" e não estava a ter utlidade profissional.
Aos 23 caí na minha 2ª depressão profunda. cliché dos clichés, resultado do meu 1º desgosto amoroso "sério". Sim, a minha auto-estima era (e é) tão fabulosa(mente baixa) que só aos 23 me permiti namorar (depois de ter arrumado os estudos, claro) e fui na cantiga mais antiga do livro: o falso Principe Encantado. Aí sim, caí numa depressão que eu própria me permiti reconhecer. "Perdi" quase um ano da minha vida, procurei ajuda psicológica sem tentar enganar niguém, mas não resultou. Fui "salva" pela minha melhor amiga, a pessoa que "ganhei" no meio de toda a confusão. Tudo enquanto fui sendo atacada pela minha própria mãe, por ter saído de debaixo das asas dela e já não ser "a filha perfeita".
Desde 2010 que, vejo agora, passei a viver num misto de ansiedade, pânico, baixa auto-estima, luta pelas aparências. luta profissional e medo, medo de tudo, ao ponto de não saber aproveitar a minha vida.
Em finais de 2011 voltei a ser deixada, ponto final de um namoro violento e abusivo.
*(olá! estás bomzinho? Eu sei que volta e meia vens cá ler, ou pedes a "alguém" que te leia o que se passa aqui. Nope, não vou deixar de dizer a quem queira ouvir que és um psicopata violento e perigoso, por muito que tenhas comprado a máscara nova de pai de família)*
Nessa época abri as portas à terapia, psicoterapia, pura e dura. Conheci a A. "Escondi" de quem me rodeava todo o trabalho porque passei: o choro, o pânico, o necessitar de companhia de amigos para conseguir adormecer certas noites, as idas à polícia. Preocupei-me em desabar em cima da A. e só da A. E que os outros só vissem os resultados.
Os resultados foram bons, fortes, consistentes. Levaram-me até ao m-R. Levaram-me até ao Mestrado. Levaram-me a saber lidar com as inconstâncias profissionais da minha área e a sobreviver aos desempregos.
Mas, lá está, a minha depressão é crónica. Consegui viver com os ensinamentos da A. por mais um ano. Desde 2013 que entrei em espiral. E, neste momento vivo assim.
Não escrevo esta frase que para uns é assustador, e para outros é um pedido de atenção, por escrever. Escrevo para me aperceber. Escrevo para me aceitar.
Ontem este livro, que secretamente pedi, quando me inscrevi no passatempo, chegou lá a casa.
Esta é a foto que lhe tirei mal o recebi.
Na verdade, interessa-me muito lê-lo. Quero ouvir a voz de quem vive nas mãos destes sentimentos e luta para sair.
Eu? Estou a fazer a minha parte.
4 anos depois, voltei a falar com a A. Atirei o barro à parede. Pedi-lhe ajuda. Ela que é e será a "minha terapeuta". Perdi a vergonha e pedi-lhe ajuda. Sim, ela está em Gaia e eu aqui. Mas não desistimos uma da outra. Voltando ao bom velho tempo das relações à distância... temos consultas com 300km de permeio. Não sabemos no que vai dar. Mas sabemos que estamos a tentar - sim, porque também é novidade para ela.
4 anos depois. Já na década dos 30, aprendi a reconhecer que a minha essência é depressiva. Que não são só as circunstâncias que me pesam. Aos 30 anos estou de novo a ser ajudada. Aos 30 anos aprendi que não é vergonha nenhuma precisar de psicoterapia.
E estou aqui. Em luta.
Uau! Acabaste de ganhar uma admiradora. A psicoterapia ainda é, infelizmente, um assunto muito censurado na nossa sociedade - o que me parece descabido. Deixo-te uma salva de palmas por o teres exposto sem medo de represálias. Tenho uma amiga que também foi diagnosticada com depressão crónica, mas, tal como tu, é uma lutadora que se esforça todos os dias por olhar em frente. A vida está repleta de coisas boas e outras péssimas; pessoas más e pessoas fantásticas; trabalhos suportáveis e outros desmotivantes, mas tudo faz parte. Um sorriso na cara e bola para a frente, é o melhor remédio.
ResponderEliminarRecebe o meu carinho virtual!
Beijinho grande
Acho que só quem vive e passa por isso é que tem noção da doença...
ResponderEliminarE podes contar comigo para te ajudar nessa luta, numa luta que é diária, mas com apoio, com conforto e carinho tudo se torna sempre mais simples. Conta comigo! Sempre!
ResponderEliminarBeijinhos
Não tenho depressão crónica, mas sou muito exigente. Tenho 21 anos e nunca namorei porque os estudos estão em primeiro e também porque não sou pessoa de sair de casa...
ResponderEliminarA depressão é ainda um grande tabu e muitas pessoas não acreditam que uma criança pode ter depressão. É horrível. Com o teu relato, lembrei-me de uma coisa que a Demi Lovato disse num comentário que é algo como: " As pessoas pensam que somos como carros, vamos à oficina e saímos de lá arranjadas. Mas não, é preciso "arranjo" constante". No caso dela anoréxia/bulimia e bipolaridade, mas de facto é uma verdade para as condições mentais.
Espero que corra tudo de bom para ti! Beijinhos!
Existem doenças que não têm cura. Acompanham-nos diariamente, seguem-nos como uma sombra sempre à espera de um paço em falso nosso para voltarem à nossa vida. Infelizmente nem toda a gente consegue perceber o que é viver assim.
ResponderEliminarDesejo-te muita força na tua batalha, lembra-te que se já conseguiste outras vezes não é desta que te vai levar a melhor. Luta! Luta porque, minha querida, mereces tudo o que a vida têm de melhor.
Eu ajudo-te e tu ajudas-me. Alivia um pouco mais.😘
ResponderEliminarMas és linda e forte... E é tudo!! E o teu testemunho pode com toda a certeza ajudar muita muita gente!!
ResponderEliminarNada como falarmos abertamente do que se passa connosco e do que sentimos.
ResponderEliminarNão sei o que isso é...
Recebe o meu beijinho carregado de força e carinho.
Estou aqui!
Minha linda, sei bem o que é ter depressão. Vivi duas. A primeira aos 15/16 anos. Depois, mais tarde. Acho que durante a doença e morte do meu pai vivi a terceira, mas não recorri a medicação nem a ajuda nessa fase. Nunca fiz psicoterapia, mas até gostava. Acho que me faria bem. Beijinhos. Sabes que estou sempre aqui, ainda que em silêncio muitas vezes.
ResponderEliminarEstá na minha lista.
ResponderEliminarObrigada por contribuireis para que se vá desmistificando este conceito, e estamos aqui para te acompanhar nessa luta.
Não é vergonha nenhuma porque não é uma escolha... Antes fosse. No caso de depressão as pessoas que estão à volta são as mais importantes para a estabilização da doença... E o importante é sempre tentar contrariar... Um degrau de cada vez.
ResponderEliminarEstou aqui deste lado sim? ;)
Muita força!
Arrepiei-me ao ler o texto, temos tanto em comum... Talvez ajudasse se tivesse ajuda, mas não posso... Há dias, semanas que são muito difíceis!
ResponderEliminarDemorei todos estes dias, para digerir o que escrevi.
ResponderEliminarMas as tuas palavras tocam-me muito!
Obrigada!***
Mesmo!***
ResponderEliminarObrigada minha querida!
ResponderEliminarDe coração! :)
Beijinho enorme - a tua disponibilidade é ouro!
Eu conheço a história dela e revi-me muito nos documentários biográficos que vi dela :)
ResponderEliminarSim, é exatamente isso.
Peço-te para teres cuidado com os teus limites, porque eu não soube ter com os meus.
Beijinho,
:)
ResponderEliminarTu é que és uma inspiração!
Obrigada querida!***
Estou mesmo aqui, acredita que não é da boca para fora. Portanto quando estiveres menos bem, faz favor de desabafar! =)
ResponderEliminarSim! sempre! Amizade é isso! :)
ResponderEliminarOs teus olhos do coração vêem mais! :)
ResponderEliminarNão pela fama, mas pela humanização, sim, espero ajudar alguém, uma pessoa que seja!
Obrigada minha querida! :)
ResponderEliminarEu sei minha amiga!
ResponderEliminarTenho saudades tuas!!!
Psicoterapia faz toda a diferença. Pelo menos a mim, ajuda-me a organizar o turbilhão!
Beijinho grande,
Obrigada eu, por leres! :)
ResponderEliminarBeijinho,
Obrigada por (me) compreenderes!
ResponderEliminarE obrigada pela força e pela companhia! :)
Beijinho grande***
Eu, neste momento, estou a fazer grandes sacrifícios para poder ter ajuda...
ResponderEliminarNo que precisares, estou aqui!
Tens o meu mail para tudo o que precisares!
Beijinho,
"Faz aos outros aquilo que gostavas que te fizessem a ti". Este é o meu lema... E quando tive uma depressão muito grande em miúda perdi todas as minhas amigas... só o Mulo se manteve ali ao meu lado, e só quando esse também quis fugir de mim é que tentei contrariar o que sentia... E lutar contra nós mesmas é horrível... 1000x lutar contra os outros! :D
ResponderEliminarSim senhora! <3
ResponderEliminar(Depois espreita o teu mail!)
Sim, sem dúvida!
ResponderEliminarPor acaso, quando me senti a ir abaixo, morri de medo da reação do m-R... porque ele só me conhecia no topo...
Foi aí que descobri que tenho um companheiro - no melhor dos termos - é quem mais me apoia e mais me lembra que "é tempo de cuidar de mim".
Amigos?
Sei pouco o que isso é...
Já vi!! Obrigada! =)
ResponderEliminarO Mulo na altura não compreendia o que se passava... o que ele sabia é que eu fazia de tudo para não estar com ele - porque eu fazia de tudo para não sair e casa...
ResponderEliminarTer alguém ao nosso lado que nos ajude e compreenda já é meio caminho andado para conseguirmos sair desse buraco. Por isso, já sabes, deste lado tens uma, que mesmo estando longe, e não sendo grande coisa é alguma coisa! :D
Beijo grande e um abraço apertado
Eu tive que ter um daqueles dias em que explodi para desabafar tudo com o m-R - caso contrário sou daquelas pessoas que guarda tudo cá dentro...
ResponderEliminarQual "não sendo grande coisa"?! Mas você tá parva?
Ajudas e muito!
Parva é o meu nome do meio não sabias?! ahahahah Sou DiMula Malu Parva Teimosa. Este é o meu nome! ahahahahha
ResponderEliminarLiliana e Tatiana nas horas vagas também... mas isso já são outras histórias ahahahahah
Obrigado e toma conta de ti ;)
ResponderEliminarBeijinhos!
Obrigada minha querida!
ResponderEliminarBeijinho grande,
Aaaah então você É parva!
ResponderEliminarMuito mais claro agora
Prefiro "Oh Liánaaah", com sotaque bem carregado - que isto até se me dá ressaca!
[Do tell essas histórias!!!]
Obrigada eu pelo carinho!
ResponderEliminarEstou a tentar, prometo! :)
Deixa lá... eu tenho ex-professores que me aturaram 3 anos seguidos e continuam a chamar-me Helena porque acham que tenho cara disso :p
ResponderEliminarAhahahahah quem te manda ter cara de Helena??
ResponderEliminarNum sei páh!
ResponderEliminarAcho que vou processar os meus paizinhos