Do bullying (ponto final).
Corre, galopa por aí um vídeo de infindáveis minutos de violência gratuíta, em mais um recreio, numa escola no Norte.
Se o vou partilhar aqui? Não.
Vi (ouvi - que nem quis olhar) uns minutos.
E à minha memória vieram os 16 anos de bullying que sofri, em todos os níveis de ensino que frequentei - disto, só o Mestrado se "safou".
Fui vítima de bullying desde que entrei na 1ª classe. Por ser deficiente. Porque "ah e tal, as crianças são crueis".
O bullying chegou a "vias-de-facto" no meu 8º ano e no meu 10º ano. Com "esperas e cercos" tais quais os que vimos no vídeo. Por ser deficiente mas "mesmo assim" todos os anos ter média para me candidatar ao "Quadro de Honra".
Na faculdade fui vítima de bullying verbal e psicológico. De novo por ser deficiente. Isso não fazia de mim cool. Isso e o não andar cravejada de roupas de marca. Era a "anti-social" que nem "bêbeda" ficava e nem "ia a todas as festas" e não andava a "comer rapazes".
Os Profs.? Olham para o lado. Ou pior, participam no bullying. O mesmo se aplica aos contínuos.
Não querem problemas.
Porque, por exemplo, eu levava todos os meus "casos" aos Conselhos Executivos. E isso implica os Profs. e os contínuos falarem - e os pneus dos carros deles serem rasgados - "por exemplo".
Não olhei os infindáveis minutos para aquele rapaz. Porque eu já fui ele. Não preciso de olhar.
As diferenças? O Séc. XXI, no seu "ex-plendor".
Frases como "Inês sai da frente para eu filmar". Ou "agora vou deixar a mão descansar". Ou ainda o "maravilhoso" "Vai lá. Bate-lhe. Tu sabes que queres".
Agora a PJ vai investigar.
E depois entram os pais, as CPCJ's deste país a defender que todos são crianças, que todos ficarão afetados por isto que se passou.
Sabem?
Parte de mim, talvez para vosso "horror" quer berrar: Caguem no puto dos Ídolos. Que tem 16 anos e foi lá porque quis e já tinha visto o programa em casa - e talvez rido dos "cromos do ano anterior". Mas não consigo. Porque também sou jornalista e SEI que a SIC quebrou a ética pela qual todos deveríamos estar cobertos.
Mas porra, meus amigos.
Isto É "o" bullying. O que acontece todos os dias. O do rapaz a um canto a levar bofetadas de ar prepelexo.
Este é o bullying que acontece todos os dias. Nos recreios, nos corredores, nas casas-de-banho.
E que nos fazem crescer com a vergonha e sensação de que somos fracos e os outros saiem impunes.
Este é O bullying. Ponto.
Ponto que não é final, porque não pára.
Infelizmente é uma triste realidade que nos persegue há anos. Quem tem filhos (como eu) faz o que pode para lhes dar uma boa educação e princípios éticos e morais e quer acreditar que eles os incorporam e os praticam no dia-a-dia. Mas depois somos confrontados com estas duras realidades e questionamos-nos!!!! Será que falamos para o vazio? Onde é que erramos? Pois quero acreditar que os pais destes jovens quando confrontados com esta realidade não reconheceram ali a educação que deram aos seus "bebés"!
ResponderEliminarEspero que sim. Mesmo, do fundo do coração, pelo "futuro".
ResponderEliminarAcredito que muitos pais não façam ideia. Eu fui esbofeteada por "meninos dos bairros" mas também por "filhos de Srs. Drs.".
Es´ta na personalidade e na índole de cada criança.
Falta faz noção de tudo. E quando os pais a tenham, uma "boa" conversa.
Sabes?
Ninguém está livre.
Uma das minhas maiores bullys entretanto fez carreira em psicologia, teve um filho, entrou para um partido político e lida com o ter que ver as dificuldades dos outros, todos os dias.
Não sei se é "sentido", "verdadeiro" ou não... mas hoje em dia, é das maiores defensoras da "diferença" e da "inclusão".
Pena que só o seja desde os seus 27 anos...
E só pode falar assim com certeza e propriedade que o viveu do lado de dentro.
ResponderEliminar"Ponto que não é final, porque não pára"
Triste verdade...
Quando vi o vídeo no telejornal fiquei sem palavras e perante o teu texto, a minha reacção foi pensar na minha juventude e adolescência, que em comparação foi um claro "passeio no parque".
ResponderEliminarPosso dizer que é horroroso assistir àquele vídeo, nojento ver fedelhos a dizerem "segura-lhe nas mãos", irrita-me saber que de certeza alguém passou naquele rua e ignorou o que ali se passava ... mas só quem viveu na pele é que percebe o quão desprezíveis aqueles seres são. Ninguém tem o direito de diminuir ninguém e infelizmente é como tu dizes: "não é final, porque não para", principalmente se continuarmos a tapar o sol com a peneira.
Sou do grupp do psicologico, felizmente nunca passou a fisico. Este caso pelo que ouvi foi fora da escola, nas férias. Uma pessoa não pode estar descansada em casa com as crianças na escola. O prigo é cada vez pior. Irrita-me que os paizinhos de algus digam "são coisas de canalha". O tanas! Os pais que os castiguem, que conversem, o que quiserem. Já fui criança e não precisei de insultar nem bater para ser superior... A escola não resolve nada... falta saber se justiça pelas proprias maos resolve...
ResponderEliminarPois é...
ResponderEliminar"Passa sempre alguém", 90% ignora.
É o poder da pressão de massas como explicava uma psicóloga ontem.
Eu, estranhamente, sempre tive um grande poder de racionalização. Não me ajudou a sentir-me mais forte ou capaz ou a perdoar mais rápido, nada disso.
Permitiu-me perceber que não era a única e a barafustar pelos outros quando via algo acontecer. Por algum motivo muita gente achava que eu ia ser advogada... ahahah
É esta pressão. Este "não me vou meter, que ainda me meto é em problemas" que fará sempre com que se tape o sol com a peneira.
É ter muuuuuuita atenção em casa.
É ter o mínimo de apoio em casa...
Beijinho,
Há pais e pais.
ResponderEliminarTal como disse numa resposta a um comentário anterior... os 2 bullys mais fortes que tive eram filhos de pais ricos. Os pais do rapaz que me infernizou um ano letivo inteiro, juravam a pés juntos que o filho não "dizia aquelas coisas".
A escola faz muito pouco, dou-te toda a razão!
Está nos pais e no meio em que inserem os miúdos a capacidade para os fazer crescer melhor. Dar exemplos. Castigar se necessário.
Justiça... estou para ver se existirá alguma.
Maria, desculpa ter demorado a responder...
ResponderEliminarÉ pena tudo isto acontecer, é pena haver lados, sequer.
Beijinho grande,
Sei de um caso de uma professora que na aula dela um aluno chamou FD .... a uma colega. A professora, no caso directora dessa turma, apenas disse á aluna que não gosta de queixinhas e que se ela não o é para não ligar. Os próprios professores não querem saber do que se passa. Muitas vezes os pais dizem essas coisas por receio de "entregarem" os filhos, admitir que os filhos fizeram asneira. Só me irrita mesmo quando se confronta os pais dos miúdos (muitas vezes quando são mesmo crianças) e os pais dizem "é canalha, é normal". Não acho nada normal os pais não chamarem os filhos a atenção, acharem normal que os filhos (independentemente da idade) insultem e agridam fisicamente outros colegas. Os pais e professores, funcionários da escola, todos têm responsabilidade nisto. Não denunciam, não querem saber, não colocam regras... é tudo ao molho...
ResponderEliminarTens toda a razão.
ResponderEliminarEu, no 9º ano passei por algo semelhante.
Na aula de físico-quima fui insultada por um bully em plena aula. A Prof. (substituta, pois a principal estava em licença de maternidade) riu-se da "piadinha".
Quando levei a própria da Prof. a Conselho Executivo com queixa direta de discriminação... a "Senhora" disse que se tinha rido por impulso, porque nem tinha ouvido a piada. Que não fez de propósito.
A "Senhora" acabou aquele mês de aulas e foi embora.
Eu continuei a estudar naquela escola por mais 4 anos.
Beijinho,
É revoltante. Depois ficam chocados que o povo queira que eles paguem na mesma moeda. Ora bolas, não é necessário condená-los á morte, mas dar-lhes um bom "banho de água fria", um abrir de olhos para a realidade e mostrar-lhes o que as vitimas sofreram. Se não sabem o que é sofrer destes males, experimentam... muitas vezes só depois de experimentarmos algo mudamos de opinião e agimos de forma diferente.
ResponderEliminarSim.
ResponderEliminarSei que alguns dos bullys da minha escola tinham difucldades e descarregavam em nós. Esses foram os que cresceram e pediram desculpa.
Os bullys meninos-bem... não.
Fazem-se de moralistas, defensores dos valores das suas boas vidas, mas são os que viram a cara, quando me vêem 15 anos depois, constrangidos.
Se me cruzo com um antigo bully na rua não lhe fujo. Passo bem ao lado, no mesmo passeio, de cara irónica e costas direitas, para eles perceberem que podem amassar o corpo, mas que fortalecem o espírito.
O dos outros, não o deles, que eles não o têm!