Este ano, o Natal:

É o 1º, em 29 anos, sem a "família". Só de escrever esta frase, fico de lágrimas nos olhos.


Não vou ter o cherinho bom das rabanadas acabadas de fazer pela mãe, o bacalhau cozido com todos que nessa noite sabe a lagosta. Não vou ver o lugar vazio, na mesa da cozinha, que pertencia ao meu avô-Anjo. Não vamos ficar a jogar Uno ou Loto até à meia-noite, a fazer horas até o meu afilhado abrir as prendas...


Este ano, com o desemprego... nem as prendas vão puder ser as "mesmas". É com cada "corte", com cada é "só uma lembrancinha" (para quem merecia muito mais) que até sinto o estômago às voltas.


Sou eternamente agradecida às amigas que sei que estão a fazer o seu melhor para que este meu 1º Natal sem "raízes" seja mais à volta do "meu 1º Natal com o m-R".


Estou feliz, que ninguém pense o contrário! Mas sendo tão chegada à família, tendo tido um núcleo pequeno, não sei bem como raio me vou sentir a viver o Natal das "outras pessoas". Sinto-me a entrar num jantar sem ter sido convidada... alguém percebe onde quero chegar, ou pareço "só" uma doida?


Sei que vai ser com a Sogrinha e as mulheres da família (a Consoada, pelo menos... arrisco-me a ter que aturar o Sogrinho querido no almoço de Natal... oh joy!), sei que elas vão fazer pequenas alterações no menú para me fazer sentir mais em casa. Vou eu cozinhar certos doces pela 1ª vez na vida. E estou agradecida. Estou! Mas estou "dorida de saudades antecipadas".


80% da minha lista está comprada. Este Sábado vou ajudar o m-R a fechar a dele - ele diz que comprou o meu presente ontem, eu não faço a mínima ideia do que é...


Já temos dia "marcado" para montar a árvore. Ele anda todo contente pela Casa, com as pecinhas que eu trouxe do POrto para fazer a transição entre Natais. Eu ando com a cabeça em água com a falta de feedback das entrevistas, os problemas com a Defesa da Tese e o "medo" de, a cada dia mais perto do Natal... me transformar numa "menina birrenta, cheia de saudades dos pais e que quer o Natal *a maneira dela".


Tenho "engolido" esses sentimentos, cada vez que eles aparecem. Tenho-me esforçado para fazer parecer que é "mais um Natal, só que diferente". Ninguém tem que "pagar" pelas minhas saudades. São 3 dias de que abdico por um ano que (até que) tem sido bom.



Mas doi. Custa cá dentro. A ideia de não ver o meu afilhado rasgar o papel. O não estar presente no brinde de Natal. O ter que esperar por dia 31 de Dezembro para presentear o meu "sangue".


Há dias em que me penso... "ninguém me avisou MESMO que isto ia ser tão difícil". Quem me manda a mim cuidar tão bem e ter tanto orgulho nas minhas raízes?

Comentários

  1. Sei bem o que isso é. Vou passar o Natal e a passagem de ano com a família do meu namorado. Tinha férias marcadas para o fim de Dezembro, mas antecipei-as pois sabia que não ia poder gozá-las nessa altura.
    Boa sorte ;)

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  2. Quando se cria uma nova família as festas são sempre complicadas de gerir. Aqui em casa, passamos a consoada num lado e o dia de Natal no outro. Mas lá está, moramos todos mais ou menos perto... e assim fica mais fácil. Têm de começar a criar as vossas próprias tradições mas entendo completamente a tua "angústia"...

    xoxo
    cindy

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  3. Também é o meu primeiro ano, se a coisa continua como está...

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  4. Percebo-te perfeitamente: o 1º natal que passei com a família do M. foi mais ou menos isso de me sentir convidada num jantar... e a culpa não era das pessoas, mas minha, que não conseguia deixar de me sentir deslocada. Com o passar dos anos, vai-se tornando melhor.
    Há casais que, enquanto não têm filhos, optam por ir cada um a sua casa e, se por um lado não faz sentido, por outro até faz, evita esses sentimentos.

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  5. não é a mesma coisa, mas vai ser maravilhoso. tens me a mim que é só atravessar o rio e fico na outra margem. E tens outras meninas cá em lisboa.
    A tua saudade nunca vai passar, mas para o ano que vem, vais ter com os teus familiares e será melhor que este ano.
    beijinhos.

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  6. Compreendo sim e fazes-me lembrar o primeiro Natal em Rita não o passou comigo e foi passa-lo com o pai. O primeiro Natal após o divorcio.
    A vida tem destas coisas.
    Vai tudo correr bem. Beijinho

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  7. Sabes? Ainda não vivo junto com o namorado, mas penso imensas vezes o quanto um dia me vai custar dividir entre famílias para festejar essa época que adoro. Imagino como te sentes... talvez daqui a uns anos seja eu assim..

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  8. Nessa noite tenho por hábito fazer uma coisa que não é muito aconselhável mas que deixa todàgente contente.. janto com a família do homem e depois mando-me quase 300km abaixo até casa da minha, e passo o dia de Natal com eles - ou vice-versa.. às vezes é realmente chato estar-se desterrado :/

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  9. Boa sorte para ti também, minha musa das tags do Faicibuqui, nesta altura tão bonita da tua vida! :)

    Beijinho,

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  10. Pois é...
    Vou fazer o meu melhor...

    Beijinho,

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  11. Vens passar comigo, ca gente que gostarmos tanto de tu, 'pariga! :)

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  12. Ai que bom que me percebes!
    A 300km de distância essa dos natais separados é caraaaaa... prefiro ter a "beleza" de criar novas tradições :p

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  13. :)

    Verdade, verdadinha minha querida!
    Obrigada!***

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  14. Espero que te seja mais fácil do que está a ser comigo.
    E que, acima de tudo, sejas muito feliz!

    Beijinho,

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  15. Aaaai e ele filho de casal divorciado, tenho que jogar ainda com o "ano-sim, ano-não" dele...
    Este ano fico aqui, para o ano... quiçá me desforre!

    Beijinho,

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  16. Obrigada minha linda!

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  17. Afinal consigo ir a casa. E ainda bem que são os anos da mãe ;)

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