Com carinho!

Hoje, mal acordei, tinha um início de mensagem orivada do Poly, no Faicibuqui.


Tendo em conta o teor das nossas conversas e o quanto gosto de picar aquele rapaz, admito que a linha e meia que conseguia ver... me deixaram assustada: "Por motivos de privacidade, partilho isto por mensagem. Beijo".


Com a curiosidade sempre na back of my mind lá fui fazendo a minha rotina pré-viagem para a terreola.


Cheguei ao carro e saquei do Droidinho. Na mensagem está um link. Cliquei no link, já com o sentimento de "Poly, filho, és muito bem intencionado, mas lá vem mais do mesmo". [Ele estuda género, ele estuda sexualidade, ele estuda e trabalha em consciencialização das minorias. Sim, pagam-lhe para isso. E eu devia tê-lo conhecido aos 13, em vez de o conhecer aos 27, teria tido uma adolescência muito mais fácil e segura]


Enganei-me. NUNCA li um texto tão verdadeiro relativamente ao que, com PC, sentimos sobre nós, o nosso corpo, a nossa sexualidade, a nossa "capacidade" de fazer outro alguém desejar-nos. Gargalhei e chorei, ao mesmo tempo.



E deixo aqui, com carinho para quem lê, mas com especial carinho de "tomem lá, seus broncos filhos duma ganda... mãe" aos meus exs e a todos os rapazes que me fizeram sentir mal comigo mesma e não acreditar em mim:



[...]


I don’t exactly pass as able-bodied. But sitting down, almost no one can tell, so I inhabit a middle space that confuses people all across the ability spectrum. People with CP have literally asked where mine is, as if it can be located. It’s true that I lack many of CP’s obvious markers [...]


But literally walking the line between able-bodied and not has given me an up close look at how people think about disabilities, and I will say this: if you’re not able-bodied, it’s really hard to get people to take you seriously.


They will tell you how brave and inspirational you are, for sure (which, of course, is more about them than you). They’ll tell you God loves you extra. Bonus points if they are also crying. But they’re uncomfortable, on some level, with you making your own choices [...]


When I talk about these issues with straight people, I always say “the other difficult thing to do when you have a disability is get somebody to fuck you.”[...] Yes, sex with a disability is a tough sell, but not (just) for the reasons people assume. In my experience, the hardest part isn’t convincing someone else you’re desirable — it’s convincing yourself that your body is worth pleasing.[...]


I compartmentalized my disability and my sexuality like it was my job until after college. Then I realized I wanted to actually have sex instead of just picking it apart in sociology class.[...]


The delight of never knowing quickly gave way to frustration. I suspected why, but didn’t want to believe it. Sure enough, when I finally asked, I got the answer I had feared: “I’m afraid I’m going to hurt you.”[...]


Up to that point, I thought I’d done everything “right”: cultivated a functional relationship, finally let someone see me with my clothes off, said yes to sex, talked about my body, listened about hers, been willing to try new things, behaved like an adult. But it turns out it hadn’t worked. All of a sudden, the “nice girl” formula that had made my disability palatable — acknowledge, but don’t dissect; laugh it off when things get tough — failed. I had literally done the most grown-up thing I could think of with this person, and she still saw me as vulnerable. Not in the way that brings people closer, mind you, but in the way that makes them afraid to touch you. Makes them think you’re breakable.[...]


So often we’re told that the “right” partner will “look past” our disability or “love us anyway,” like they’re on some sort of humanitarian mission. In that moment, I realized what complete and utter bullshit that idea is. The problem is not our bodies — it’s the misguided assumptions people project onto them. That we shouldn’t want them. That we don’t know how to use them. That they need to be cured. That’s what I want the people in my life — friends, family, girlfriends — to look past. I don’t want them to look past me. My disability is essential to my body. It’s a tough belief to stick to, and one that requires constant reinforcement, but it’s the truth.[...]



Aqui estão apenas alguns excertos do texto de Carrie, escrito há apenas alguns dias. Estão os "meus" excertos. Sim. Eu passei por isto, algumas frases são quase citações. O "estou-te a fazer um favor, porque só eu poderei gostar de ti" - tão fofo. NOT!. O "aai que afinal não tens cura e os teus próprios filhos podem nascer deficientes" - até poucos dias antes seriam os nossos filhos: O "ai que és um modelo de vida" [Nada contra quem me diz isto, tem dias que ajuda, mas há dias em que é a última coisa que queremos ouvir. O estigma de PC não se "deseja" a ninguém. Quanto mais o querer ser o modelo dos outros] O "Deus salvou-te porque a tua história é semelhante à de Jóh" - admito que tive que pedir que me contassem a história.


Ok, a escritora tem ainda mais limitações do que eu e é lésbica. Fixe! Também tem um grupo de amigos que eu só consegui começar a construir aos 27 anos, exactamente quando encontrei o rapaz que nem me deixa lembrar que me posso "magoar": seja na loucura da cama, seja a fazer montanhismo, seja a fazer canoagem. E que já me disse, directamente: "Sorry to burst your bubble, mas 'isso tudo', esses medos não são 'especiais', cada mulher tem o seu.

Comentários

  1. Amei este texto. Amo o facto de seres a pessoa confiante que és, mesmo quando tudo é feito para que sintas que não és igual, que és 'especial'. Não és 'especial', mas és Especial. Uma mulher que luta pelo que quer, que tem medos como qualquer outra, inseguranças como qualquer outra e que não se deixa abater por 'dá cá aquela palha'. E esse rapaz que encontraste, acho que é mesmo um Homem. E olha que não há muitos :) sugiro a alteração do 'nome' dele para m-H :) *

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  2. Esta confiança e coragem demorou muitos anos a ser aceite por mim, a transparecer cá para fora... viver no "limbo" da (in)capacidade não é fácil. Mas, com ajuda, vou aprendendo e aceitando todos os dias. E agradeço muito os pais que tenho, que me educaram a fazer. A não há cá "não consigo" :)
    É verdade... quando lhe mostrei o texto percebi ainda mais isso. Ele tem muitos momentos "rapaz": distraído, "ceguinho", miúdo... mas surpreende-me quando menos espero. A reação dele foi: "Eu não sou overprotecting pois não? É que não é por mal, mas raramente me lembro que os teus limites não são os meus. Mas lido assim, faz sentido. É tão óbvio, que percebo porquê que nem perco tempo a pensar nisso".
    Apresentei-lhe o texto dizendo-lhe, na brincadeira, que ele é um privilegiado, resposta: não serás tu?
    E sim, sou, muito então, se comparado com o passado!

    [Vou levar essa alteração a votação ihihih]

    Obrigada pelas palavras lindas e pela lagriminha no canto do olho :')

    Beijinho grande,

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