Do choque cultural

Eu sou toda rapariga da cidade, eu não sei viver sem carros, sem transportes, sem pontos que respondam às minhas necessidades, passei 3 dias de fuga à realidade na "aldeia".


Daquelas terrinhas, com sotaque, e pessoas que te tratam por "Menina", "Menino", perguntam pela saúde da avó e se o cão está bom.


Em que cada esquina tem uma história (só me doi quando é tua e de mais alguém), aquele descampado já foi um campo de futebol e aquela fábrica abandonada já deu emprego a muita gente.


E o Cão adorou-me, e dormi muito (sonhei connosco e com os amigos), acordei abraçada a ouvir os galos, dei de comer a galinhas, apanhei limões, abdiquei de refeições para descansar mais, aprendi a dedilhar o baixo do Deacon, ouvi histórias até de madrugada, fizemos planos, falamos da conjuntura social que pode ter levado às falências e a dessetificação. Falamos de religião e da noção da Morte, das saudades. Vi as fotografias dee bebé, a navalha trabalhada oferecida pelo avó, passei pela casa com uma camisola do meu tamanho. Fechei a porta e o portão como se fossem meus, olhei pela janela e contei as nuvens por cima da montanha... ouvi-te repetir vezes sem conta que "para a próxima vai ser ainda melhor" e pensei: por mim, podemos voltar todos os meses e fugir ao mundo que nos cansa tanto.


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