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A mostrar mensagens de outubro, 2023

Dicotomias Lisboetas

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No Metro:, num destes dias de chuva diluviana...   Uma Senhora (seleta) de sobretudo grosso, comprido.... eeeeee? Sandálias de verão às tiras, perfuradas.  (E ainda acho eu que sou uma pessoa complexa...)

The one that got away

Quando o assunto é paixonetas, sou uma nostálgica. Demoro a arrumar o que não aconteceu (por bem) na sua caixinha e a deixar ir. - Mesmo estando casada, feliz e muito satisfeita com quem me "calhou na rifa". - vai-se a ver e sou uma romântica! Se a paixoneta chegou a paixão... ui! Caraças... sofria, sofria, analisava, analisava.   Faz agora uns 20 anos conheci a pessoa mais parecida com o m-R (em termos de Homem, completo) mas na altura tinha 18 anos, não percebia nada de relações e, graças à minha deficiência morria de vergonha de pensar em relações e não me achava digna de nada desse género.   Sei-o, por várias pessoas, que ele foi vivendo os 4 anos que partilhámos na faculdade apaixonado ou interessado em mim. Eu só tive coragem para admitir que o via dessa forma mais para o final. E vivemos meses e situações bem fofas, bem dignas de  rom-com . Tivemos momentos em que ele me fez sentir uma princesa, em que falamos num futuro... Mas, no dia em que ele tentou dar "o pas...

O melhor e o pior - tudo em um

Aquela proposta de viagem/visita veio com água no bico - senti-o nos ossos.   Passei as semanas até àquele dia a perceber o quanto nada encaixava...   Consegui gerir o ir... e a partir daí - fiquei nas mãos deles - até muito depois de voltar. Pouco me serviu todas as conversas, confissões, abertura sobre a minha saúde mental e vida, ao longo de meses. Estava marcada - sabia-o, mas não imaginava a dimensão. Não até tudo ter dado para o torto, para o errado e para o inaceitável.   Burra, que não há outro termo, ainda tentei ser a diplomática, a madura, a igualitária da situação. Fui foi o mexilhão.   O engraçado é que - fora o asco que me dá pensar no depois - adorei os locais que fui visitar. Os passeios, os recantos, os pequenos-almoços sozinha e as caminhadas a descobrir os caminhos para não me perder. A comida, o Sol, os monumentos, os 15 kms a pé todos os dias. As igrejas inesperadas, a Torre de Babel de línguas por todo o lado; os ambientes de filme que mudavam a cada quarteirão. ...

O Luto fraternal

Morrer-se-nos uma irmã é um dor impossível de explicar. É A falta para a vida. Mas ninguém fala do quão solitário é. "Toda a gente" pensa na dor dos pais. Na dor do viúvo (gargalhada interior). Na falta que a pessoa vai fazer aos filhos. Praticamente ninguém me contactou e perguntou por mim, os poucos que o fizeram (excetuando os meus verdadeiros) fizeram-no numa perspetiva perversa de ver o que acontece quando um transplante corre mal - mas não iam estar a chatear os meus pais para isso - sim, também ouvi isso, por outras palavras.   Sabem o que ouvi uma vez, ao fim de 6 meses de luto? Que estava a exagerar na falta, na saudade. Que era suposto começar a habituar-me e seguir em frente.   Sabem quantas vezes nos últimos 3 anos pensei "qual em frente!?" Muitos, muito dias. Com a morte da minha irmã: mãe, mulher, trabalhadora, com 40 anos de vida... percebi a pouca falta, a pouca diferença que fazia ao mundo. Porque se o Mundo continua sem ela, que atingiu (socialme...

A Amália em mim...

Só vos pode dizer: Obrigada! Obrigada!   Obrigada pela forma com alguns ainda se lembram de mim, como tiveram saudades de mim, do meu feitio, das minhas histórias. Só posso agradecer o carinho, o interesse, as palavras bonitas; num vida que, não escondo é muito mais nublada do que antes.   Cada comentário me fez sorrir, cada comentário me fez pensar "que bom é não estar presa no meu mundinho".   Conforme já puderam perceber, a vida está mesmo diferente deste lado, faz-vos sentido ler sobre isso? Olho muito para este regresso como a hipótese de verbalizar coisas que, nos últimos mais de 2 anos, muitas vezes só contei às paredes... mas, como disse na semana passada à Pandora, não sei se as minhas palavras ainda são muito compreensíveis...

Pequenas vitórias

Treinar 3x na semana. Ir a um museu e aceitar um convite inesperado de uma amiga. Equacionar fazer algo em grupo - uma situação traumatizante, mesmo.   E porquê que isto são pequenas vitórias? Porque a energia é quase nula destes lados, mas é assimque percebo que ainda cá estou e ainda respiro.   Mesmo que depois (sobre)viva à base de sestas.

E novidades?

A minha primeira reação é dizer: "não há". (Tal como a resposta "está tudo bem", é automática) Novidades...  Aprendi a viver com a ainda mais medicação - e a não ter vergonha dela, e a agradecer o quanto me ajuda, no dia-a-dia. Regressei ao ginásio especificamente para trabalhar mobilidade e motricidade e, ao fim de 4 meses de trabalho, sem esperar, tive a prova de que o trabalho está a ter frutos. Sofri muito profissionalmente, mas não deixei de lutar, e aprendi a não suportar os "fretes", mas sim a vê-los como algo que paga as contas - numa fase tão difícil, mundialmente.   Vivi dias tristes, felizes. Desiludi-me. E tive maravilhosas surpresas, em forma de pessoas, de lugares e de momentos.   Fiz a 6ª e a 7ª tatuagens. Tenho os meus patudos e a minha irmã na pele, com todo o orgulho do mundo. Tenho amig@s  do c@r@lh0 . Com as melhores piadas, a melhor comida, o melhor vinho e o carinho, o carinho enorme que o dão quando o meu está cá e parece não sair cá...

Entro.

Entro, poderia dizer a medo, mas essa parte mudou - em mim.   O medo já não vive na cabeça, no  overthinking , como "antes", o medo são as "pequenas coisas": as crises de ansiedade, os ataques de pânico, a ideação. Ele existe, mas já não é imaginado.   Entro, nesta minha casa, a pedido, repetido de alguns. Esses alguns que me ampararam, aturaram, aceitaram e apoiam, mesmo eu sendo uma pessoa diferente depois de um  burn-out,  uma depressão nervosa, medicação psiquiátrica e um processo de luto que vai durar a vida toda. Esta é a minha casa de 13, 14 anos? Não sei, perdi a conta. Mas hoje sei: aqui posso tirar os sapatos, desapertar o soutien. Pegar no meu copo de vinho, olhar para o teto, para as paredes, para o antes, para o depois (que de sonhador tem pouco). E não, não o digo tristemente. Digo-o com a noção que olho para o Futuro com olhos de fazer. Quero viajar? Vou. Quero ir a um concerto? Vou. Quero ir ao ginásio? Vou. Quero dar-me a mim ao invés do que/quem a...

Perdi-me

Perdi-me, pelo caminho. Encontrei-me, num caminho que me metia medo. Estive no fundo do poço, por debaixo da lama. E aí, fugi. De quem me deixou fugir. Aceitando os abraços de quem me mostrou que Amar é amar humanos, nos seus altos e baixos. Na sua imperfeição única.   Perdi-me de quem era. Deixei de encaixar na minha carapaça. Nao acho que tenha resultado uma borboleta de tudo isto... mas encontrei-me com quem sou.