Abraçoólica

Lembro-me de quando era uma rapariga quasi-obcecada por abraços.


Para mim, num abraço podia estar a(s) resposta(s) à(s) questão(ões) mais importante(s) do mundo.


Um abraço, se bem dado, entrega, por entre os braços e a força do "aperto", o sentimento que as palavras não conseguem mostrar, ou que os olhos não conseguem dizer.


Há uns anos, eu pedir um abraço, eu dizer que esperava por um abraço... era das maiores provas de carinho que eu podia dar a alguém. Um tipo de prova que acho que nunca ninguém compreendeu decentemente (tirando a My Cristina, vá).


 


Até que pessoínhas me foram usando e abusando dos abraços.


E me magoaram através deles.


 


Fui largando o amor ao abraço, à segurança nos braços de outro alguém, ao inspirar o perfume e ao guardar de um momento, que pode viver num abraço.


Hoje, chego ao ponto de ser surpreendida pelos mínguos abraços que ainda existem; fico até constrangida.


 


Mas, esta semana, por entre conversas normais, por entre confissões difíceis, por entre a nostalgia e a solidão que a época natalícia me trazem, dei por mim com falta de abraços.


Pior, com a falta da possibilidade de dar os abraços que queria dar, a quem queria dar.


É nestes momentos que tenho saudades do meu eu de 24/25 anos, tão ligada que era ao que sentia, que partilhava tão bem essas "necessidades".

Tenho saudades de ser abraçoólica, mas acho que o mundo não se coaduna com isso. E ao fim e ao cabo, é o mundo que nos molda.



 


(Lá está, sou uma girl from the last century)

Comentários

  1. Eu adoro abraços e não os dou a qualquer um.
    Para mim, e ainda bem, ainda têm muito significado.
    Espero que assim continue =)


    Beijocas

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  2. pode ser estúpido o que vou escrever a seguir, mas as pessoas do norte são mais afetuosas que as do sul. Não sentes essa diferença?

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  3. Eu não sou nada carinhosa, nunca fui.
    Já a minha irmã anda sempre aos beijinhos.
    Mas compreendo o que dizes.
    Pena é quando o tempo passa rápido demais.


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  4. O mundo molda-nos e de que maneira!
    Hoje em dia abraços sentidos só mesmo ao meu menino e a uma amiga que adora abracinhos, são dos bons, são verdadeiros!
    Em tempos um pseudo-amigo adorava abraçar e eu sempre achei tudo muito estranho até que percebi que havia muita falsidade por detrás daquele gesto que parecia puro!
    Não somos todos iguais...
    Beijinho grande.

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  5. Não é nada, nada parvo!
    Sinto essa diferença todos os dias...

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  6. E fazes tu muito bem! <3

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  7. Eu sou como a tua irmã, tu és como a minha ahahah

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  8. É isso mesmo, há quem abrace pela aparência do que é abraçar, fazendo-o de forma mecânica...

    Beijinho,

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  9. Os opostos têm mesmo de existir, é verdade.
    Pois é, eu lembro-me de comentar algum blogue teu que não era este. Porque a tua fotografia não me é estranha.
    Vou seguir-te para não voltar a perder o contacto. Se quiseres, faz o mesmo.


    Beijinhos, Diana.

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  10. É# verdade, e muitas vezes existe nos irmãos, para aprendermos a viver com os extremos de um ângulo positivo ;)

    Sim, talvez seja dos grupos? ;)

    Já sigo, com o meu perfil pessoal ***

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