Voltamos aos posts menos positivos
Sim, lurkers deste blogue que não gostam de passar pelo blog quando eu estou em baixo, podem clicar ali no x, do lado direito do ecrã, este post não faz o vosso género.
Este fim-de-semana, tudo o que eu desejava era paz e sossego, para recuperar das 12 horas enfiada num carro, em 2 dias e meio.
Cheguei a casa passava das 22.30h. Vinha enjoada e com sindroma de claustrofobia: só vi preto e estrada, fechada num carro com mais 3 pessoas, durante 6 horas e isso não faz bem a ninguém.
Vinha desejosa do meu Snape e do meu m-R.
O meu Rapaz é mesmo o (meu) melhor do mundo - tinha uma massa gratinada com legumes e bolinho de chocolate à minha espera - pena que o meu jantar tenha sido duas garrafas de água com gás... Mas "deitei isso para trás das costas" e fomos dormir os 3, aconchegadinhos na cama. O melhor de tudo? Eu, na minha cama, que tem o cheiro e o abraço do m-R.
Acordo sábado com todas as intenções de relaxar, de deixar o dia passar por mim. De aproveitar que o m-R tinha concerto em Cascais, para por o sono em dia, começar a ler o Per Sempre, estar com o Snape, lavar roupas e por a casa (minimamente) em ordem.
Bem diz o Senhor Murphy - não faças planos. Eu ouço-os e tratarei de tos estragar.
13h. O telefone fixo toca. Parecia uma inóquoca chamada da minha mãe.
14h, não o era. Do nada, uma chamada de uma mãe, que, nas vossas mentes se desenha como uma mãe a querer saber como está a filha, que está a 300 km, esteve fora em trabalho e vai passar o Natal longe dela, foi uma chamada de ataque pessoal.
Na terapia, há 5 anos, quando saí, por falta de dinheiro para continuar, tínhamos começado a trabalhar o assunto "relações materna/paterna". Desde que voltei, há 5 meses, temos até tido breakthroughs sobre o assunto.
Tenho uns pais que fizeram um ótimo trabalho a criar-me. Tenho uns pais que, acredito, considerem ter feito o melhor que sabiam para nos dar uma boa vida, sem grandes faltas ou falhas a nível de sobrevivência.
A verdade é que também tenho uns pais que nunca souberam lidar com o facto de terem uma filha deficiente. Se por um lado se "esfalfaram" a dar-me todas as ferramentas para eu ser funcional e independente; por outro semrpe o fizeram com uma enorme carga de culpabilização, obrigação e serventia, do meu lado. Sempre me mostraram que se sentem culpados por terem feito uma filha deficiente - e descarregam-no em mim, apesar de nenhum dos 3 ter culpa. Sempre me obrigaram a fazer o que eles consideraram melhor, fossem horas infindáveis de fisioterapia, horas loucas de natação, abuso físico e mental por parte de um especialista de motricidade que consultei durante mais de um ano. Nunca fui questionada se me sentia bem, se aguentava as dores, se queria lá estar. Tudo isto acompanhado da pressão de ser sempre boa aluna, não falhar nada, garantir o bom, onde a minha irmã não o tinha conseguido.
Desde pequena que, esta vida de formiga deficiente que tem que passar por normal foi acompanhada por aprendizagem de tarefas de serventia. ao ponto de aos 15 saber gerir um orçamento familiar. Aos 16 saber fazer todas as compras e gestão alimentar de uma família de 4. Aos 17 saber fazer refeições para que todos tivesse comida pronta na mesa, quando chegassem dos seus trabalhos. Não contemos com isto o facto de desde os 10 saber limpar tudo numa casa - menos janelas - para não andar a subir escadotes - e ter inspeções do quão bem o tinha feito.
Quando aos 22 saí da faculdade e não arranjei trabalho "no mês seguinte", como as minhas colegas "bonitas e normais", passei também a sofrer violência física. A única vez que tive coragem de aflorar o assunto, em frente a uma médica que estava preocupada com a saúde da minha mãe... digamos que levei uma tareia quando cheguei a casa. E que este assunto ainda hoje me é dito em tom de ameaça, quando vem à memória da minha mãe.
Enquanto tudo isto se passou, carregando as minhas costas, tenho, "no universo paralelo", uma irmã, mais velha, "normal". Que sempre foi mediana em tudo na vida. Mas que, "espertamente" replicou, qual espelho, a vida dos meus pais, para se ir safando de asneiras e pobres escolhas de vida, porque vive a vida que os meus pais consideram "certa". Confesso e assumo, vivi (e vivo) a vida a tentar "suplantar", melhorar as petos que os meus pais referiram ter sido sonhos para ela, que ela não cumpriu. E, no meu caso, são "dispensados" como "coisas boas que eu lá fiz" - por exemplo, o meu Mestrado, pago do meu bolso, feito em horário pós-laboral com média funal de 16, quando trabalhava a 100 kms da Faculdade, onde tinha aulas diárias foi "uma brincadeira gira, porque me apeteceu".
Juntem a isto uma mãe que foi abandonada pela mãe dela. Mas que ainda hoje, aos 62 anos, sonha ser aceite por ela. Faz tudo e aceita-lhe tudo. Desculpa, esquece, perdoa. Mesmo sem estímulos para tal.
A minha mãe tem problemas por resolver que perfere esconder, omitir. E reage bastante mal, quando os mesmos lhe são apontados. Não vê uma mão estendida como sinal de ajuda, mas sim como sinal de fraqueza.
Este facto dá-lhe conhecimento interno da ferida de abandono. E uma capacidade "maravilhosa" de torcer "facas".
Desde muito nova que oiço que vou ficar sozinha no mundo, que os preocupo porque sou um peso, uma preocupação, uma coitada. Aos 24 anos, quando passava uma depressão por ter sido deixada pelo meu 1º namorado, ouvi calmamente da boca da minha mãe, que "não faz mal, assim ficas connosco, aprendes a cuidar de nós, e não teremos que gastar dinheiro num lar".
No ano seguinte decidi sair de casa. No ano seguinte a minha mãe foi diagnosticada com um cancro gravíssimo.
Cada passo que dou para me distanciar e tentar viver fora deste cíclo, é seguido por um momento qualquer negro, em que sou sugada de volta.
Este sábado a tal chamada inóqua era afinal a pedir-me para ser "pombo correio" da minha avó. Sim, a que abandonou a minha mãe. Desde que nasceu a minha sobrinha L. - que ela nunca viu - e dado que eu moro a 25 minutos de carro dela e a 5 minutos a pé da minha meia-tia; que a minha avó deu em "avó rica" e gosta de mandar dinheiro aos meus sobrinhos - recorrendo claro a mim. Que tenho que ir lá a casa, buscar os envelopes, quando a senhora o quer.
Detalhes: durante TODO o resto do ano, nenhum dos membros da família que abandonou a minha mãe, mas mora aqui em Lisboa, me dirige palavra. NUNCA. Nem Natal, nem aniversários, nem Ano Novo. Nem um "estás boa", "tens fome?", "precisas de alguma coisinha?".
Maaaaaaaaaaaas para fazer de criada, m-M já serve e já existe.
Aaah a tal chamada inóqua era também a pedir-me para convidar a minha meia-tia a ver a minha casa. Digamos que os nossos prédios são tão próximos que vejo a portaria do prédio dela, da minha janela da cozinha.
m-M no seu bom sentido "servente", por muito que não quisesse, acedeu. Convidei ambas. Fui renegada, relegada para último plano, tive que fazer os planos do meu fim-de-semana à volta das vontades e disponibilidade da minha meia-tia e senhora minha avó nem apareceu.
Quando partilho ao telefone à minha mãe o pouco interesse da minha "familia" lisboeta em querer ir ver a casa.... EU sou insultada. Humilhada mesmo. A minha mãe aproveitou o telefonema para me relembrar todos os falsos amigos, maus namorados e planos furados que tive nos últimos anos. E vitimizou-se de seguida, pondo se na pele de sua meia irmã e mãe abandonadora dizendo que a culpa de a minha "família" não mostrar interesse éça minha vida é porque EU não sou interessante, apelativa e simpática o suficiente. Que a culpa da falta de consideração delas não é delas, é minha. E que ela, minha mãe, as compreendia e concordava com elas. Mesmo toda esta situação tendo começado para agradar à minha mãe e tentar aproximar a "família" dado à época natalícia.
Uma hora de insultos depois, de distorção de realidade, eu chorava como não o fiz durante meses. Tentei apelar a qualquer réstia de razão, tentei apelar ao lado humano e diferente de todos nós. Só consegui que a chamada telefónica acbasse quando me calei e as únicas palavras que saiam da minha boca eram "sim, mãe", "combinado, mãe".
Um sábado que eu queria de descanso transformou-se num sábado de choro, de m-R a sair para o concerto em pânico de me deixar em casa. Num sábado de fumar uns 10 cigarros, de mal comer. De ter frases em eco na cabeça, em non-stop. Numa vontade nula e medo enorme de sair de casa. De me por em causa. De não saber como a terapia me vai ajudar, como me vou erguer ou ser alguém nesta dinâmica.
Sinto-me inúmeros degraus abaixo de onde estva, quando atendi aquele telefonema. A 5 dias no Natal, a 12 dias de voltar a nefrentar os meus pais.
E estou atrás de um ecrã, a tentar trabalhar, de sorriso nos lábios.
Funcional sempre - isso é o que importa parecer.
Minha querida, as relações, os sentimentos são complicados.. não há famílias perfeitas, há sempre quem nos tente colocar para baixo, lamento que neste caso sejam os teus pais..
ResponderEliminarMas, não te deixes vencer pela tristeza, não deixes que eles ganhem. Tens muitas pessoas que gostam de ti e eu sou uma delas. Conta comigo para o que precisares, para desabafares, qualquer coisa! És forte e sempre o seras..
Beijinho grande
Consigo, infelizmente, identificar-me com algumas coisas que dizes.
ResponderEliminarSou a filha do meio e começo a achar que isso justifica muita coisa, tipo a ovelha negra =P
Também desde nova que sempre tive que fazer tudo em casa, quando sempre existiram mais pessoas e ninguém ajudava. Nunca.
Ah porque é uma vergonha uma mulher não saber fazer isto e aquilo e pronto, lá a Cláudia tinha que fazer tudo.
Ainda hoje, tenho que limpar duas casas e passar a ferro a roupa de 5 pessoas. Não é fácil.
Mas admito, faço-o porque também sei que a minha mãe não o vai fazer e não consegue.
A situação aqui é diferente, não tenho nenhum problema e até nos damos bem.
Mas há coisas que são demais. Defende só o meu pai e não liga muito aos filhos, também um bocado a medo...
Mas não estás sozinha. Se tens o teu marido/namorado/colega que te apoia, isso já meio caminho andado.
Mas desejo-te muita força. Realmente ninguém merece ser tratado assim.
Beijocas
Desculpa mais uma vez, o post em anónimo é meu.
ResponderEliminarBeijocas
Agradeço-te muito pelas tuas palavras, por sabê-las difíceis. O facto de teres 5 minutos para partilhar comigo só me deixa é grata!
ResponderEliminarExato, no meu caso é o que sinto e o que se passa com o lado materno da minha família. É sangue mas nada mais. Estamos a falar de uma avó que abandonou a minha mãe bebé e que sempre me renegou a mim e à minha irmã. Mas a minha mãe, no seu trauma pessoal, na ânsia de aceitação (compreensível), por ela perde um pouco a noção do que ela aceita, pode não ser aceitável para os outros - que é o meu caso.
Os traumas de me ter com deficiência, de sentir muitos medos por mim, de me criar independente mas no fundo não crer nessa independência... faz com que tenha uma relação um pouco tóxica comigo.
Há muito amor, há-o! Não duvides nem eu o nego. Mas também há muita culpa, muitos cobrares e muito controlo.
Nem eu morando a 300 km, com uma vida adulta que tento segura a sossega e a faz crer num futuro meu. E eu sempre fui o "elo mais fraco" do núcleo familiar. Tudo isto resulta nesta relação, que eu bem tento trabalhar.
Mas somos humanos e não controlamos tudo, e perco o controlo da nossa relação...
Beijinho grande e obrigada,
Se tivesse o azar de ter uma mãe manipuladora, limitava MUITO o contacto (ainda por cima já não vivendo debaixo da asa dela). Mal a conversa se tornasse num rol de insultos e humilhações, era logo "bái-bái, só volto a falar contigo quando aprenderes a respeitar-me, não sou nenhum saco de pancada onde tu apareces para despejar as tuas frustrações".
ResponderEliminarBottom line, não deves aceitar que te tratem assim, não interessa se é a tua mãe ou a vizinha do lado.
Beijinhos, aproveita o dia que está bonito, para deitar esses sentimentos maus fora ;)
Porque não desligaste o telefone?
ResponderEliminarPorque não fechas a porta a quem tanto mal te faz?
Eu sei...é a tua mãe...mas é obrigação dela apoiar-te e ajudar-te e não o contrário!
Desculpa, mas não consigo arranjar justificações para o comportamento dela...é bullying!
Cabe-te a ti fechar o ciclo e não permitir que essas "conversas" cheguem a esse ponto!
Espero sinceramente que já te sintas melhor!
Beijinho grande!
Vou dizer isto com uma leveza que sei que não posso esperar de ti, porque és tu que estás dentro da situação e os sentimentos dentro de nós são sempre turbilhões que afetam a nossa vida, mesmo que racionalmente os queiramos descomplicar.
ResponderEliminarTodos os insultos que saíram da boca da tua mãe têm a ver com frustrações dela e problemas dela. É ela que está mal e aproveitou (injustamente, mas assim foi) quem ela viu como o elo mais fraco para descarregar o mal que lhe estava por dentro do peito. Uma técnica que nunca funciona. O mal estar não se passa ao outro, sem também se alimentar dentro da própria pessoa. Ela não ficou melhor, mas deixou-te pior.
Tenta focar-te no que realmente importa (o M-m, o Snape, as coisas boas do trabalho e as coisas boas do Natal) e repete mil vezes para ti que não vais deixar que ela te afete (até quase acreditares que é verdade).
Uma beijoca grande. Também isto passará. És forte, mesmo quando não te lembras.
Obrigada querida, por mesmo quando descobres mais, ficares desse lado... :)
ResponderEliminar***
Obrigada querida.
ResponderEliminarSim, nele tenho um grande apoio e compreensão. É um verdadeiro companheiro no sentido total da palavra! :)
Beijinho grande,
Ahahahah
ResponderEliminarNão faz mal, fica a ser a nossa tradição :)
Já tentei essa abordagem.
ResponderEliminarAí a atitude passa a "sua ingrata, eu já estive a morrer. Um dia vou e quero ver o que ficas a sentir"...
Obrigada pela força :)
Beijinho,
Deitar cá para fora ajudou muito, mas continuo a sentir-me muito drenada...
ResponderEliminarSe tento terminar chamadas os insultos são outros, o terror psicológico... não sei mesmo lidar com esta dinâmica de outra forma. Nem sei se um dia consigo aprender.
Obrigada querida,
Já diz a minha melhor amiga... há que repetir ao espelho, até o reflexo nos parecer verdade.
ResponderEliminarHá alturas em que penso que vou saber viver melhor com isto, que já estou mais forte e que as chamadas telefónicas vão ser só chamadas telefónicas.
E logo agora que andava "satisfeita" por ver frutos, em mim, na terapia...
Sim, pelo m-R tenho posto um sorriso, e o Snape tem tido muitos mais ataques de mimos... o Natal esse, este ano já não me estava "a apetecer muito", menos me apetece agora.
O Ano Novo, estou em processo de não o querer ir passar ao Porto... mas tenho 12 dias "para me por de pé" e continuar a vida.
Obrigada pelas tuas palavras, de coração,
Isso não é nada saudável para ti.. devias experimentar a afastar-te uns tempos, para ver se mudava alguma coisa. Não lhes deves nada, e eles estão a cobrar-te caro..
ResponderEliminarE estarei sempre aqui, acredita... Vá, vamos lá a arrebitar! =)
ResponderEliminarUm grande avanço que a terapia já te deu: põe para fora, sem medos se represálias e acusações. Porque sabes que é esse medo que nos atira para um sofrimento silencioso, a moer tudo cá dentro até pouco restar de nós que não sejam frangalhos.
ResponderEliminarFalando de mim e do que temos em comum. Eu também sei que as frustrações da minha mãe foram descarregadas em mim. Eu sei que nem sequer devia ter nascido porque isso implicou a infelicidade do meu pai que se viu obrigado a "manter" uma família que não queria. E pela minha mãe eu nasci para que ela realizasse todos os seus sonhos e projetos de vida que não lhe foram permitidos. O incentivo dela para eu estudar e tirar um curso não era pelo bem do meu futuro, mas para fazer ver aos outros (avós, tios e primos) que era "superior" a eles por ter estudado e tirado um curso.
Descarregam em cima de nós as suas frustrações e medos. Culpam-nos porque perdem o controlo e não conseguem o que tanto querem. E nós que vivemos toda a vida nisso, sem ferramentas emocionais para dizer chega, vamos permitindo toda essa negatividade, toda essa culpabilidade. Mas somos mais fortes, minha amiga. Somos mais que isso que quiseram para nós e acho que as assusta de morte. Sabes que eu também era para ficar em casa a cuidar dela. Ter um namorado, ir fazer vida? Vaticinou a minha infelicidade, que não ia durar nada, que eu não sei fazer nada. Pois não. Desde nova a cozinhar, limpar e tratar da casa e da roupa realmente não me ensinou nada da vida.
Vê o que conseguiste? O que tens. Quem tens ao teu lado. E muito friamente, com a frieza que aprendi a ter para sovreviver, que se foda o sangue. Lá porque te pariu, não é tua dona. E tu, mulher feita, moldado a ferro e fogo e muitas lágrimas, valoriza-te porque tens muito por onde te valorizar.
Um grande e apertado abraço. Estou no sítio do costume, se quiseres uma conversa privada.
Deixas-me de lágrimas nos olhos tu.
ResponderEliminarPorque "sabes que é mais do mesmo" e mesmo assim ainda vez evolução e luz no meio disto tudo.
Toda eu sou cansaço. Parece que levei com um camião para a frente e para trás, repetidamente, em marcha-a-trás, sádica.
Obrigada querida amiga, de coração,
Porra , m-M eu conhecia-a há um ano atrás, podes lhe dizer mesmo que sou tua amiga até morrermos. Estou ca para ti. Eu não gostei das palavras que ela te disse. Fizeste me lembrar da minha, que de mim nada espera. Eu tenho muito orgulho de ti. És das poucas amigas que eu tenho e sei que a nossa amizade vai perdurar a vida toda. Bjs grandes e acalma-te. Telefona me se quiseres.
ResponderEliminarSabes que isto de dar a cara na minha xafarica não me deixa dizer e contar-te um monte de coisas que gostava.
ResponderEliminarSe quiseres, dá-me o teu mail. ou envia-me um para fatima_bento@sapo.pt.
Temos muito mais em comum de que parece...
Beijos grandes, abraços apertaaaaados, e força. Que tu tens.
Daí a mudança de 300 kms.
ResponderEliminarE o facto de passar semanas sem pegar no telefone. E ter chegado a estar sem ir ao Porto, matar saudades das minhas coisas, por períodos superiores a 3 meses...
Sinto-me é sempre a perdedora aqui...
:)
ResponderEliminarObrigada!***
Acho que é a primeira vez que comento aqui. Mas hoje não podia deixar de o fazer.
ResponderEliminarÉ um tema demasiado “delicado” para mim...e tratando-se de ti...
Sabes o sorriso que me puseste na cara quando li o que escreveste? Estás a deixar sair, a perceber que isso é errado, a construir limites (já viste que até há pouco isso te parecia impossível?)
Disse-to ontem, repito-to hoje, as vezes todas que precisares, até que te (a) apercebas: és TÃO mais forte do que julgas!
Deste o passo essencial de regresso à terapia (por ti!) e os progressos são visíveis.
A distância não se cria “de um dia para o outro”, mas os passos estão a ser dados.
Sabes o que dava por poder tê-lo feito em vida, tal como estás a fazer? Isso é coragem, força e crença em ti! Pro favor, não a percas, por mais difícil que te pareça este caminho, a recompensa vai ser tão melhor!
Já viste que, mesmo ao longo destes anos todos, depois de tudo o que passaste, ainda te recompões e mantens de pé?
Chora, barafusta, deita para fora... Não deixes para depois.
Sabes que este tema me é muito familiar. E que estes são conselhos de quem não tem autoridade para tos dar.
Fui maltratada (física e psicologicamente), negligenciada, tudo porque acreditei/acredito que tinha/tenho uma dívida, porque me proporcionaram um bem estar económico e aparente. Fui posta para fora de casa (nua!!!), queimada, insultada, porque se a minha família biológica era "assim e assado” eu também o seria. Porque acreditava que mesmo isso teria sido melhor do que a morte em recém nascida, nunca esperneei nem me debati. Desenvolvi uma gratitude doentia e masoquista que me roubou a vida. Morria uma morte certa, mas cobarde e confortável, no aconchego do que todos consideram uma mansão...presa numa gaiola dourada, onde sabia que nada mais me restava a não ser esperar que o que aconteceu acontecesse ou que um carro me apanhasse a mim... É duro, muito mais do que parece, mas muito mais fácil do que o que TU estás a fazer!
Hoje? (1 ano depois da morte da minha mãe) ainda não consigo falar, acreditar ou sentir metade do que vivi...E resta-me um passado vazio, cheio deste nada para remoer, a sós, comigo. Esta raiva latente que começou agora a sair, mas que tinha adormecida, para não me doer mais...
Mas agora já não há mais nada a fazer. E mesmo assim, todas estas cicatrizes (ou ainda serão feridas?) ainda não me permitem andar, quanto mais avançar! Resta-me apenas a esperança de que um dia deixarei de ser esta combatente de gigantes de pedra no coração. Porque mesmo que agora me grite(m) que está “tudo bem”, eu sei que não. Porque queria ter tido a coragem, a força que tiveste de estabelecer essas fronteiras em vida e, quem sabe, ter dado e ter tido uma vida melhor. Gostava de ter feito a tua escolha, entendes?
Este comentário não é sobre mim. É só para te mostrar que eu, a tua melhor amiga, a tua pessoa, que nunca te mentiu, te pede que acredites. A única coisa que devemos aos nossos pais é sermos autónomos e livres. As dores deles são mesmo isso, deles! Voa. Mantém a tua postura e acredita em ti, na A., na terapia. Não esperes que te retalhem as asas para te aperceberes que é já tarde demais para voar!
Estou mesmo muito, muito orgulhosa de ti e de seres este grande exemplo de vida.
O preço a pagar pela nossa liberdade emocional nunca é alto demais. Nem as lágrimas são demasiadas quando o entuito é deixar ir...
Orgulha-te também de ti, da sorte que tens em não estares sozinha, em saberes que tens uma mão na tua, durante esse percurso que estás a palmilhar.
Eu estou contigo. Repito-o sempre. Porque mereces. E hoje às lágrimas caem-me de orgulho, satisfação e saudade. Porque sejam o que forem ou como forem, não há nada melhor do que ter a quem chamar de mãe...
Um abraço só teu ***
Nem sei bem o que dizer... é uma situação mesmo triste e complicada... deixo-te um beijinho e um forte abraço
ResponderEliminarMuita força. Espero que já estejas melhor.
ResponderEliminarOh amiga, desculpa por-te nesta posição, exatamente porque tu já estiveste com ela... não fossem os meus pais tão bons a "portar-se bem" em público...
ResponderEliminarObrigada de <3 pelas tuas palavras!
Beijinho grande,
:)
ResponderEliminarPor essas e por outras eu mantenho o meu blogue o mais longe da minha família que posso...
Irei enviar-te um e-mail!
E obrigada pela força que me dás!***
Meu amor,
ResponderEliminarSou-te tão grata por saíres do teu arranha-céus e te dignares a entrar no meu poço, para mais uma vez, o vires partilhar comigo... belas "amigas" que somos... ;)
Tu estás viva, tu vales e tu és parte de novas vidas e novas famílias. Custa, não parece real, não parece merecido, não parece verdade. Mas é o.
Lá está, são as sequelas que vivemos e sentimos, os "vícios" em que nos criaram e que nos querem fazer crer.
E nós, cá estamos a trabalhar, para aprender a sair da rodinha.
Este golpe foi-me inesperado, e baixo, como tu sabes que o é possível ser. E isso deitou-me por terra, num enorme sentimento de injustiça.
"Cansada, drenada, pequenina"...
Eu lá faço assim tanta coisa? Tento, "engano-me" de que já estou mais forte e vou conseguir e pimbas! Lá volto eu a cair, que nem patinho, na esparrela.
E consigo tão pouco, olhando para a tua luta.
Estamos aqui uma para a outra. Somos, uma da outra.
Obrigada por venceres 300 kms, medos e internets para não me deixares sequer pensar que não me vês.
Always*
Obrigada querida! ***
ResponderEliminarObrigada querida.
ResponderEliminarDevagarinho vou recuperando do golpe... :)
Nao te preocupes que eu estou bem. A minha mãe também tem outras situações que ninguém entende. Bjs
ResponderEliminarMete nessa cabeça que não és deficiente, és diferente, e não o somos todos uns dos outros?<br />Não vou dizer que sei o que sentes, mas compreendo e não tenho pena de ti (que sentimento feio), porque daquilo que dás a conhecer, és lutadora, independente, tens uma força que na tua idade e sem as tuas limitações eu não tinha. Sei que não é fácil, que quando estamos de lado, tudo parece simples, mas é a tua vida, faz dela o que quiseres, sem fretes que te fazem sofrer.<br />Um grande beijinho e se precisares estou mesmo aqui ao lado.
ResponderEliminarSabes, durante muitos anos escolhia não dizer a palavra diferente, pela conotação "coitadinha" que lhe davam... :)
ResponderEliminarHá 5 anos, antes de deixar a terapia, a A. disse-me, "chegarás mais perto de ti, no dia em que a tua Paralisia Cerebral for como um animal de estimação, que tu amas, e cuidas e acetas, como é, a quem dás colo, e não ela a ti".
Desde há uns tempos que consigo partilhar, sem medo, vergonha ou problemas, que tenho Paralisia Cerebral, porque ela não me tem a mim.
Mas são muitos anos de frases, atitudes e consequências repetidas, que fazem moça. Nem eu tinha noção quanta. Há muita coisa, que não escrevo aqui, que vi como "normal" de me ser feita e dita, e só agora, com anos e distância física é que vejo que não o são.
Agradeço-te as tuas palavras, a tua visão sem "palas", a tua força.
Sei que o resto terei que ser eu a arranjar maneira de fazer... :)
Obrigada***