Do bullying laboral

Quem me lê há tempo suficiente sabe que, no meu emprego anterior, fui vítima de bullying profissional durante cerca de um ano.


Bullying bem "trabalhado" pela minha chefia máxima que o começou por fazer de forma tão dissimulada que, nos primeiros 3 meses eu mesma duvidava dos insultos e humilhações.


Até que fui obrigada a ficar no trabalho mais 2 horas por dia, sem pagamento extra.


Até que fui acusada de roubo aos salários da equipa - isto numa multinacional, eu nem tocava em dinheiro.


Até que fui diretamente referida como "doida", "burra" e deficiente.


Queixas na ACT de nada serviram. Denúncias de nada serviram.


Aguentei 16 meses. Os últimos meses nem escrevi aqui, pois nem sabis em que "terra estava". 


Pareci viver numa nuvem particular, mas daquelas que se encaminhava para uma tempestade feia.


Soube depois que ela foi despedida tal e qual como me despediram a mim. Que o meu nome foi limpo dentro da empresa. Que uqme resta da minha equipa até sente a minha falta. Mas não deixei de vir para casa, completamente entorpecida e com a empresa a dever-me dinheiro e a dar-me palmadinhas nas costas e a "desejar-me um melhor futuro, que talvez fosse a melhor hora, mesmo para mim, para sair e tentar algo mais no mundo".


 


Fiquei quase 4 meses desempregada. Não foi um número nada mau, tendo em conta a minha área, a minha experiência profissional, o mercado atual e a minha deficiência.


 


Entratanto, na terapia, chegamos à conclusão que, dados os meus traços de personalidade, estou a lidar com - e a ultrapassar, espero! - um género de Stress Pós Traumático e Sindrome de Estocolmo. Nos 1ºs meses continuava a sofrer pela minha equipa, a sentir que ainda estava lá, na sala.


Ainda não consigo estar muito bem ou à vontade naquela zona da cidade, mas já vou reconhecendo que já não tenho nada a ver com aquela empresa, ou as pessoas que lá ficaram.



E porquê que resolvi relembrar tudo isto hoje - não, não culpemos o Trump!


Porque hoje tenho que fechar o relatório anual do Departamento em que estou.


Porque amanhã e 6ª estaremos em reunião anual de equipa nacional e delegações.


E, pela 1ª vez em 3 anos, avaliação não será sinónimo de bullying, do dia em que vão usar as minhas fraquezas para me enviar para casa.


Em 2 meses tenho mesmo trabalho para mostrar e algumas coisas planeadas para 2017.


Não são tudo rosas, não - nenhum emprego o é - desculpem se vos "rebento a bolha"!


Mas, meu Deus, sabem o que é poder escrever um relatório de avaliação sem medo? Sem insultos? Sem sombras?


Para já, vale a pena. Vale "todo o resto".

Comentários

  1. Assim é que é miúda!! Força!!

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  2. Esquece lá as coisas más!
    Vamos falar do Trump que é bem pior xD

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  3. Ainda bem que agora neste emprego te sentes melhor.

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  4. Que descrição horrível. Felizmente não passei por isso. Mas quando se passa ao insulto, o melhor que uma pessoa tem a fazer é sair pelo próprio pé. Já não é só o salário que está em causa... numa situação limite, em que te insultaram, não há dinheiro que pague a tua auto estima e o teu sorriso. Mais vale sair e estar em causa do que estar a ser rebaixado e entrar numa espiral recessiva.
    Vejo que mudaste para melhor e parabenizo a tua coragem e saires de onde estavas!!!

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  5. ... e que continue a valer a pena :)

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  6. Nada como estarmos bem e felizes no nosso emprego!
    Fico feliz por teres conseguido mudar, mesmo que forçosamente!
    Eu no meu, infelizmente ainda não sei bem o que me espera!
    Beijinho

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  7. Não sabia, acho que ainda não te acompanhava. Lamento muito a situação pela qual passaste. Felizmente que conseguiste sair da mesma e que hoje estás mais forte e mais atenta!
    Beijinho grande

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  8. Nem posso imaginar tal sofrimento, sempre fui muito bem tratada no serviço. Para ti deve ter sido uma libertação a saída daquele local. Tomara que passe a fazer parte do passado e que nunca se repita de forma nenhuma.

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  9. Nenhum trabalho são rosas... Mas o trabalho que estives-te sujeita devia ser proibido... Revolta-me a apatia do ACT

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  10. Ainda bem que já estás a enfrentar o touro de frente! ;)

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  11. Oh meu Deus à pessoas tão mázinhas.
    Lamento imenso pelo que passaste
    Segue com a queixa para a frente para não voltarem a fazer a ninguém o que fizeram a ti!!!
    Força

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  12. É muito chato ver estas coisas acontecerem, e muitas das vezes sentimo-nos impotentes e incapazes de reagir. Mas o que importa é que já não estás lá, estás num sitio, que mesmo que não seja perfeito, é melhor. E acima de tudo o que importa é que TU estás melhor :)
    É uma longa estrada, mas devagar se vai ao longe, e quem sabe este "devagar" passe mais depressa do que pensas. As melhoras.

    Beijinhos

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  13. Ahhhh amultinacional em que estavas. Tantas histórias. Tantas equipas que andam a ser "limpas" para ficarem os paus mandados, tanta gente desejosa de ser despedida de lá ou a despedir-se por vontade própria. Tantas mudanças neste últimos anos

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  14. é tão bom poder dizer adeus a um pesadelo! nunca fui tão abertamente mal tratada, mas quando tive uma experiência nem 1% similar à tua bati com a porta e quis lá bem saber! vim embora com uma mão à frente e outra atrás mas comigo não gozaram mais.

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  15. Ahahahah!

    Vamos?
    Será que ele partilha connosco o nº do seu tanning salon? :P

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  16. Acredita que nos últimos 8 meses que lá estive tentei muito, sair pelo meu pé.
    Tive entrevistas... enviava CVs... mas as coisas realmente só desenvolveram depois de eu sair de lá.

    Aquele sítio fez-me muito mal! E atrasou-me na vida!

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  17. Talvez acompanhasses... mas o bullying chegou a um ponto em que a minha chefia descobriu que eu tenho um blogue e me proibiu de escrever nele, sobre eles... sob pena de me "despedir mais cedo" e com justa causa para me fazer perder o subsídio...

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  18. Foi.
    Foi como conseguires sair do poço, em que estavas caída! :)

    Deus te oiça!

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  19. Deviam, mas não são.
    Esta multinacional, por exemplo, compra concursos de melhor empresa para trabalhar, para enganar os seus 25% de novos trabalhadores, todos os anos! :)

    Aaaah querida, só a minha equipa entregou 6 queixas à ACT, nada, em nenhuma foi feito.

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  20. Quando comecei a escrever este texto, não pensei nas palavras que iam sair daqui, confesso.

    E de repente, plim! Estavam cá fora. :)

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  21. Há mesmo.
    E o pior é quando estão protegidas, como esta estava.

    Querida, seguiram 6 queixas, nada aconteceu.

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  22. É isso mesmo.
    Quando de lá saí, em 2 semanas o meu m-R disse-me "as condições podem ser más e dificultar-nos a vida, mas pelo menos, volto a ver em ti a mulher que eu amo".
    Porque eu transformei-me num automato, calada e cheia de medo de falar.

    Devagarinho, consigo pensar naqueles dias sem ficar tolhida de medo.
    Devagar começo a voltar a ter interações de trabalho consideradas normais, aqui, no escritório novo, sem achar que estou sempre a ser testada e apontada. :)

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  23. Pois é... tu que a conheces! :)

    Sim, mas o "fundo" é o mesmo.
    Afinal a minha chefia foi mantida fora da empresa, despedida por 6 meses.
    Entretanto foi re-admitida, despromovida, em funções degradantes, em comparação. Mas está lá de novo. Porquê?
    Porque é cunhada do CEO...

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  24. Quando as coisas chegaram aos extremos que apresento aqui... já eu estava num estado em que só o levantar-me e ir trabalhar me drenava todas as energias.
    Não falava, não reagia, a nada.

    Tentei muito, sair pelos meus pés.
    Mas precisava do salário para pagar as contas... por isso vim quando eles deixaram, com subsídio... :/

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  25. E eu sei bem o que tu estás a sentir...

    No que precisares de ajuda, diz-me! Estou aqui :)

    Beijinho,

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  26. Medo... Sempre pensei que o ACT tivesse uma posição mais activa nestes casos...

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  27. Orange Brown ia assentar-nos como manteiga de amendoim ahahaha

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  28. Ficaríamos muito mais distinguíveis no meio da multidão :P

    Mas essa da manteiga de amendoim fez-me sentir o Homer

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  29. Que nada... muito menos contra multinacionais que já têm historial.
    Eles nem conseguem responder...

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  30. Isso é o que realmente interessa. Aos poucos recuperas-te. :)

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  31. engraçado, sem graça nenhum... fazem uma pressão tão grande a pequenas empresas e estas deixam passar...

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  32. Ouvi falar várias vezes dessa "personagem", já não me lembro o quê mas não era boa coisa

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  33. Consigo imaginar a tristeza com que escrever só de pensar nessa empresa e no teu antigo chefe. Há coisas que nem o tempo cura :s

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  34. Verdade!

    Só de pensar na empresa, no local, fico nervosa. Embora tudo pareça que foi noutra vida!
    E "rezo" para não me cruzar com a minha antiga chefe... não sei o que me passaria pela cabeça...

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  35. Exatamente!

    Foi o "que melhor" aprendi como parte de uma multinacional: que eles, mais que ninguém, têm formas de fazer as coisas "não avançarem"...
    Teríamos que ser nós, os trabalhadores mal tratados a gastar dinheiro dos nossos bolsos, ir para tribunal e ministério e nem sempre a justiça é garantida...

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  36. Ouviste falar da minha "querida" ex-chefa do demo?
    I wonder why?! :P

    (Sempre ouvi falar que ela era mal percecionada, mas isso nunca fez com que alguém "agisse" quanto a isso... :/

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  37. Devagarinho...
    É mesmo um processo.
    Tenho dias de já não me lembrar. Tenho dias que me dá um aperto no coração...

    E estou a re-aprender a trabalhar num ambiente mais "normal" :P

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  38. pois devem ter devem...
    meu deus... onde este país vai chegar

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  39. Não és a única a não querer cruzar-te com antigos chefes...

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  40. Como diziam as minhas ex-colegas brasileiras: #tamujuntos!

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