E o que é que se celebra hoje?

O Dia Internacional da Deficiência!


Ora, sobre isto tenho a tecer vários comentários - ou não a vivesse eu na pele, desde o meu 1º minuto de vida:



  • "Está podre o Reino" no dia em que se "celebra" a Deficiência;

  • Realmente a sociedade ainda precisa que a relembrem que se esquece de "nós";

  • Feliz é o dia em que eu, pessoalmente, consigo lidar com a minha deficiência, ao ponto de fazer piadas sobre isso - nem sempre foi assim. Muito pelo contrário. Já chorei, já me questionei "porquê eu", já sofri muita descriminação na pele. Ainda hoje ouço a respiração faltar a muita gente, quando digo qual a minha deficiência. Conheço-lhe todos os graus e percentagens. SEI que somos mais do que as palavras patológicas que se escrevinham em papeis e se mandam para as escolas ou para os médicos. SEI o quanto "custamos" às nossas famílias - em tempo e dinheiro. Sei que se olharem para mim "ninguém diria". SEI que por muitas campanhas que se façam e dias que se "celebrem", nos outros 364 dias lutamos contra barreiras difíceis de transpor: os pré-conceitos;

  • Nada como ter um namorado que quando lhe perguntas "Sobre que episódio estúpido das atitudes das pessoas quanto à minha deficiência achas que escreva hoje?", ele responde "fala daquela vez em que achavas que comprar uma guitarra para esquerdinos ia ficar muuuuuuuuito mais caro do que uma para destros" - sim, ele liga de caraças à minha deficiência;

  • Para finalizar e aproveitando esta bela frase de carinho da minha Liána no Faicibuqui: "Congratular não digo, mas deveríamos todos nós estarmos mais atentos e criar as condições para que os portadores de deficiência possam locomover-se e ter mais emprego! Mais e melhores condições de vida!", dedico à sociedade-zinha esta pérola dos anos 90 que me faz pensar "aaai Portugal, volta e meia, páras no tempo, é preciso que alguém passe do Ideal à Realidade":


 



Feliz Dia - para quem o sente, para quem o percebe... ou para quem é tão "d-eficiente" que nunca há-de pensar mais do que "coitadinhos".

Comentários

  1. Não sei como é estar nessa pele... No entanto, acho que consigo visualizar o que se passa em torno de mim... E barreiras e ajudar, e abraçar, acarinhar, falar, brincar também... A diferença existe nos olhos de quem vê ... Mas não olha!

    Bj

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  2. Exacto!
    Ver não é olhar.
    E o importante, a personalidade que acarinha, que ajuda, que brinca está dentro de cada um! :)
    Beijinho,

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